sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Obrigada, Ano Velho!

2011 terminando, bem no finalzinho. Logo ali, dobrando a esquina, 2012 nos espera, novinho em folha, pra gente fazer o que quiser com ele. Que beleza, hein?

Nesta época pipocam projeções, esperanças, promessas e expectativas de tudo que queremos fazer e desejamos para o Ano que se iniciará dentro de pouco tempo. Contudo, hoje, nestes dias que precedem as Festas, eu quero manter o foco no que passou, nas realizações e nos presentes que o Universo me trouxe neste já velhinho 2011. E quando olho pra trás e tento sintetizar meus sentimentos em uma única palavra, ela é Gratidão. Gratidão pela chegada de Benjamin e por tudo de bom que ele trouxe consigo. Gratidão pela família, pelos amigos e por tantas pessoas iluminadas e do bem que têm me aparecido pelo caminho. Gratidão pela vida e pela oportunidade de progresso e crescimento que recebo a cada dia.
Gratidão, gratidão, gratidão. 2011 foi um ano maravilhoso!

Todavia, não posso deixar de falar de 2012, nosso Ano bebê, que está quase nascendo.
Desejo que em 2012 renovemos nossas esperanças. Que cultivemos a bondade, a alegria e a compaixão. Que em 2012 cada um e cada uma de nós busque erguer dentro de seu próprio lar um microcosmo de paraíso, cheio de amor, calor, carinho e cuidado. Que cada criança se sinta protegida e amada e ouvida e amparada dentro de sua casa. Ainda que o mundo lá fora esteja longe de ser o ideal, se nossas crianças crescerem em um ambiente onde são cultivados valores positivos como amor, respeito e não-violência, teremos, no futuro, adultos de espírito forte, de coração aberto e amoroso, homens e mulheres do bem, preparados para atuar neste mundo de forma positiva, fazendo dele um lugar melhor. Eu acredito nisso! E vocês?


Feliz Natal e até o ano que vem!


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Benjamin: 7 meses

Ben se divertindo com uma cenoura.

Sete meses... Sei que é lugar comum dizer isto, mas parece que foi ontem que ele chegou. Ao mesmo tempo, parece que ele sempre esteve aqui conosco, tão preenchida nossa vida se encontra de sentido e de alegria que quase não nos lembramos como era antes.

Benjamin, Ben, Pequeno Príncipe, Biscoitinho da mamãe, Beijinho de coco da vovó, Pulguinho do papai, mondonguinho :-D,  Ben-ben, meu agarradinho, meu menino, amor da nossa vida, todos os dias agradeço por você, meu filhote.
Você já cresceu tanto, já é um bebê "grande". Já fica sentado sozinho, escolhendo os brinquedos que quer. Já experimentou vários legumes e frutas e demonstra ser bom de garfo, meu pequeno vegetariano. Já tem dois lindos dentinhos. Já demonstra contentamento e alegria quando ouve as músicas que gosta. Faz festa, bem faceiro, quando abrimos a porta para sair, pois adora passear. Adora o DVD da Galinha Pintadinha, mas adora mais ainda que sentemos com você no chão, explorando novas (e velhas) brincadeiras, cantando cantigas, batendo palmas e fazendo caretas (e a gente perde totalmente o medo do ridículo, é verdade). É louco por tomar água no copo, como os adultos; um encanto! Apesar de todo esse crescimento, você continua adorando um colinho, um aconchego, e sendo fã do mamá, precisando dele varias vezes durante o dia, mas sobretudo na hora de dormir e durante a noite (thanks, cama compartilhada, eu não conseguiria sem você). E acorda sempre de bom humor, um sorriso encantador que nos ilumina e faz todos os dias lindos, faça chuva ou faça sol.

Benjamin, você é uma festa!

E mesmo correndo o risco de ser piegas, meu filhote, hoje quero te dedicar esta canção do "Rei", que muitas vezes já embalou seu sono.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ina May Gaskin e o projeto Parto pelo Mundo

Nós não queremos nossas mães assustadas, nós queremos que elas tirem da experiência de parto uma sensação de poder.
(Ina May Gaskin)

Assistam esta entrevista com a parteira estadunidense Ina May Gaskin, onde ela nos fala um pouco do modelo tecnocrático vigente no que diz respeito à assistência aos nascimentos, do medo e da ignorância a respeito do parto e da necessidade de respeito aos ritmos da mulher para que este seja um acontecimento respeitoso e empoderador.







Esse vídeo é uma realização do projeto Parto pelo Mundo, que busca modelos de parto centrados na mulher e ações em prol da humanização do parto ao redor do mundo.
Visite o site. É um projeto muito lindo!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Por que fazemos cama compartilhada?

Atuar contra a natureza como espécie conduz irremediavelmente à perda do bem-estar.
(Tine Thevenin, in The Family Bed)




Hoje quero falar de um assunto polêmico no mundo da maternagem: a cama compartilhada, a prática de dormir com os bebês. Sei que é um tema cercado de preconceitos. Eu e meu marido, antes de engravidar, sequer imaginávamos a possibilidade de, quando tivéssemos filhos, deixá-los dormir conosco.
Durante a gravidez começamos a repensar, a nos informar sobre a prática, mas as dúvidas pipocavam: e não é perigoso? E o risco de sufocamento? E não tem que ensinar o bebê a ter o espaço dele? E se ele não aprender a dormir sozinho? E? E? E?
...E eis que chega Benjamin, fazendo-nos rever conceitos e abandonar preconceitos. Nos primeiros dias, ele dormiu no carrinho ao lado de nossa cama. Acordava para mamar (o que é o mesmo que dizer acordava toda hora) e depois voltava para o carrinho.
Cansaço, olheiras, mamãe dormindo sentada e com medo de deixar a cria cair no chão... Até que, passados alguns dias, Benjamin à noite começou com aquele choro de cólica (ou que se diz ser de cólica, agora nem sei mais...). Chorinho doído, dor profunda, tadinho... Massagens, acalanto, passeio... a fralda tá limpa? Tá. Será que é fome? Não. Então tomamos A decisão: Vamos colocar ele aqui com a gente. Lembro que Abramo esquentou a bolsinha térmica e deitei Ben a meu lado, barriga com barriga, a bolsinha entre nós dois. E dormimos. Os três.
A partir daí, esta começou a ser a nossa prática. Esquentamos a bolsinha mais algumas noites, depois vimos que não precisava. O choro não era de dor, era de saudade. Estando a nosso lado, sentindo nosso calor e nossa presença, Benjamin não chorava. Hoje quando digo que não passamos NENHUMA noite em claro com ele ninguém acredita.
Acabamos nos informando mais sobre o assunto e nos tornando adeptos da prática da cama compartilhada. Não somente por ser uma delícia. Não somente por ser mais prático. Não somente por sermos uns dorminhocos preguiçosos. Mas porque é nosso instinto, porque nos sentimos mais seguros e, last but not least, por contribuir fortemente para o sucesso da amamentação.

Sobre a questão instintiva, não preciso dizer muito. É só olhar em volta e observar o mundo mamífero. Filhotes e pais dormindo juntinhos, emboladinhos, em um sono gostoso e restaurador. Isso contribui muito para o vínculo entre os pais e o bebê, pois quanto mais próximos ficamos de nossos filhotes, maior a nossa capacidade de entender o que eles nos comunicam, compreender sua linguagem.

A respeito da segurança, nos sentimos mais seguros tendo nosso filho perto de nós do que dormindo sozinho em outro quarto. Se engasga, eu socorro. Se está descoberto, cubro. Se puxa o lençol por cima, tiro. Como ficamos mais conectados ao nosso bebê acabamos acordando ao menor sinal de que ele não esteja bem. Pelo menos comigo acontece assim. Outra razão pró-cama compartilhada é que, segundo alguns especialistas, com a respiração dos pais (inspirando oxigênio,liberando gás carbônico) o bebê é estimulado a respirar sempre (porque, lembremos, eles não respiravam na barriga). Assim, diminuem as chances de uma Síndrome da Morte Súbita, por exemplo.
É claro que se deve observar algumas normas de segurança ao compartilhar a cama com o bebê, como certificar-se de que seu colchão é firme e liso e que os lençóis estejam seguramente ajustados; não dormir com o bebê se tiver consumido álcool, alguma droga ou medicação ou se for fumante; e evitar camisolas ou pijamas com laços e cordões longos. Mas é tudo bem simples, né?

Por fim, tem o aspecto amamentação. A cama compartilhada é ouro para o aleitamento em livre demanda. Enquanto a mãe dorme há um aumento na produção de leite, pois os níveis do hormônio prolactina (responsável por esta produção) são maiores durante a noite. E o "coquetel" hormonal não para por aí: altas doses de ocitocina, o hormônio do amor, atuam na "descida" do leite, e endorfinas fornecem prazer e tranquilidade.
Mas no cenário do bebê dormindo em um berço em outro quarto, a coisa ocorre de um jeito um pouco diferente: entra em cena a adrenalina, hormônio que não combina nada com noites tranquilas de sono. Sabe por quê? Porque a mãe tem que acordar, sair do quentinho da cama, para ir atender a um bebê que provavelmente já está bem acordado e, mais provavelmente ainda, chorando. Esta mãe tem que fazer um grande esforço para manter-se acordada enquanto amamenta. Tem que ajudar o bebê a adormecer novamente, sendo grande o risco de choro quando se faz a transferência do colo quente da mãe para o berço gelado.Até que ela consegue fazer o bebê dormir, sai do quarto pé ante pé, deita em sua cama... e sofre, pois dentro de poucas horas começa tudo de novo! Não é à toa que muitas mães, podres de cansaço, acabem caindo na tentação de dar um "NAN-feijoada" para a criança dormir a noite toda, pois, a longo prazo, uma rotina assim acaba sendo muito massacrante. E aí encontramo-nos a um passo do desmame precoce: para que a prolactina (lembra dela?) seja produzida são necessárias as mamadas noturnas. Sem mamada, nada de prolactina, nada de leite. "Meu leite acabou, e agora?" Entenderam o drama?

Ok, tudo muito bom, tudo muito bem. Mas e a intimidade do casal, coméquefica? Pela minha experiência, fica muito bem, obrigada. Pode-se deixar o bebê no bercinho nanando enquanto os pombinhos namoram, ou se pode desbravar outros espaços da casa. Ajuda, inclusive, a sair da rotina, é ou não é? Se o casal se ama e quer ficar junto, sempre se dá um jeito...

Bem, amig@s, era mais ou menos isso que eu tinha pra dizer. Sei que a cama compartilhada está longe de ser unânimidade entre mamães e papais, e eu respeito as escolhas de cada um, na boa. Contudo, quis escrever este texto pois vejo que outros tantos papais e mamães gostariam de trazer seus filhotes para dormir junto com eles, porém não o fazem por medo, por preconceito, por causa das opiniões dos outros ou por "n" inúmeras razões que nada têm a ver com seus desejos e escolhas pessoais. É para essas pessoas que escrevi este post.

Eu poderia falar mais, porém prefiro indicar algumas leituras bem mais informativas e didáticas do que sou capaz de fazer.
Dormindo com bebês - Texto muito bom de Alysson Muotri, biólogo do blog Espiral
Grupo Soluções para Noites sem Choro
Cartilha da UNICEF Partilhar a cama com seu bebê - Um guia para mães que amamentam

Não deixem também de assistir a esta animação do site The Food of Love sobre as diferenças entre os sistemas "cada um na sua" e "tudo junto reunido". É muito fofo! É só clicar no link.

Breastfeed in your sleep

Depois de tudo isso, alguém ainda pode me perguntar: "E se ele nunca mais sair da sua cama?" Quer saber? Não estou nem um pouco preocupada. Quero mais é sentir o bafinho de leite e o cheirinho de meu Ben perto de mim o tempo que der. Sei que vai passar, sei que ele não vai ser pra sempre o meu "agarradinho", então o negócio é aproveitar!

Ilustração Mama is...Comic

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Mamães de Porto Alegre e arredores: Programação para o Findi

Este será um fim de semana recheado de atividades bacanas para mamães e bebês.


No sábado, dia 26/11, a partir das 10h, na Luz Materna (Av. Osvaldo Aranha, 1070, sala 404 - Bom Fim), acontecerá a primeira edição dos Círculos de Luz Materna - encontros de apoio à gestação, ao parto humanizado e à maternidade ativa. O tema será Maternidade, maternando, maternar... O ser Mãe em cada uma de nós. O público-alvo são mães com bebês e gestantes (papais também serão bem-vindos) que queiram trocar ideias, tirar dúvidas, contar suas experiências e buscar apoio. Os Círculos são um projeto desta mamãe que vos escreve em parceria com a queridíssima Fabi Panassol, amiga e doula. Vai ser um bate-papo bem gostoso e acolhedor, com entrada franca. Pedimos a quem vier que, além de ideias, dúvidas e relatos, tragam um suquinho ou lanchinho pra compartilhar. Participe!


 
No domingo, 27/11, teremos o Dia do Bebê no Parque, das 9h30min às 13h30min, no entorno do Espelho d'água do Parque da Redenção. Entre outras atividades (programação aqui), às 10h acontecerá um Mamaço, um ato de apoio à amamentação.
Então, anotem aí:
Quando: 27 de novembro, durante as comemorações do Dia do Bebê no Parque.
Horário: 10hs.
Local: Parque Farroupilha/Redenção, em Porto Alegre/ Espaço Humaniza: Bebê e Família.
Eu e o Ben estaremos lá! Vamos fazer um evento bem lindo em defesa da AMAmentação?

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Para Benjamin

Denguinho, cheirinho,beijinho...


Filhote, ontem você completou meio ano de vida. Foram os 6 meses mais lindos, intensos, trabalhosos, mal-dormidos, recompensadores e felizes de minha vida. Quero lhe dizer, meu Benjamin, que agradeço todos os dias por você. Cada minuto a seu lado é uma benção divina, meu filho.
Às vezes a mamãe fica cansada, mas basta olhar seu rostinho para esquecer de tudo, para desejar colher o momento, imortalizá-lo. Sei que não é possível, meu Pequeno, você vai crescer, vai fazer a sua vida, vai ser feliz, vai ser do mundo. Então, vou aproveitar bastante enquanto eu posso lhe chamar de meu, carregando-o nos braços, sentindo seu cheirinho, alimentando-o com o leite que meu corpo produz (e que não canso de achar um milagre!) porque você existe.

Obrigada, filho, por me ensinar a amar incondicionalmente, a servir alguém o tempo todo, humildemente, deixando o egoísmo de lado e não esperando nada em troca. Ao mesmo tempo, obrigada por me dar tanto: alegria, maciez, suavidade, calor, leveza, vida!
Eu aprendo muito com você, meu filho. Aprendo a me encantar com o mundo, com as pequenas coisas, assim como você faz com seu olhar inocente e curioso. Aprendo a ser flexível, a rever opiniões, a não ser tão dura nem comigo nem com os outros. É melhor ser uma metamorfose ambulante a ter aquela velha opinião formada sobre tudo, né, meu Ben?  
Enfim, meu amado Benjamin, gratidão por tudo, você é um companheiro maravilhoso. Seu pai e eu não temos palavras para lhe dizer o quanto amamos você. Desejo que sua vida seja maravilhosa, cheia de amor e alegria e que Deus lhe abençõe sempre.

Mil abraços, mil beijinhos, mil carinhos da
Mamãe

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Amamentação sem Mistério

Este é um trailer de um documentário sobre amamentação realizado pelo GAMA (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa) que minha amiga Pilar recomendou aqui para o blog. O trailer por si só é super-informativo. Fiquei bem curiosa a respeito do documentário. Assistam, pois vale a pena!

AMAmentar é tudo de bom!



DESCRIÇÃO


Um competente time de pediatras e especialistas em amamentação apresenta de forma simples e didática as principais recomendações da Organização Mundial da Saúde e as mais recentes evidências científicas em aleitamento materno.


Enquanto explicam porque amamentar, mostram a importância do apoio, ensinam a pega correta do bebê e apresentam soluções para os problemas mais comuns. No pano de fundo entram em cena casos reais e depoimentos emocionantes de mulheres brasileiras sobre as dores e as delícias da amamentação.


Dividido em sete capítulos temáticos, "Amamentação sem mistério" é uma iniciativa do Grupo de Apoio à Maternidade Ativa (GAMA) que tem por objetivo informar e ajudar profissionais de saúde, grupos de poio e mães que amamentam.


CAPÍTULOS


Abertura (2 min)
Uma breve história da amamentação (10 min)
Por que amamentar? (11,5 min)
Promovendo a amamentação (9 min)
Orientações para mães (19 min)
A mulher no puerpério e a importância da rede de apoio (10,5 min)
Orientações para mães com dificuldades (24 min)
O papel dos profissionais de saúde + créditos (11 min)
TOTAL 97 minutos


REALIZAÇÃO:
GAMA / BOA HORA FILMES (www.boahorafilmes.com.br)

Resenha tirada daqui.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Aqui no meu Pertinho

Música muita fofa composta por César Mello e Cléo Lima para a 1ª Semana do Bebê Carioca, em Agosto de 2011. Um dengo! Compartilho com vocês.



AQUI NO MEU PERTINHO
Mama aqui no meu pertinho
Bem no meu pertinho
Mama aqui no meu pertinho
Bem pertinho do nanar

Quando meu bebê a primeira vez
Mamou segurando minha mão
Parecia um dengo, parecia um beijo
Na ponta do meu coração

Vou ter mais porte e dentes fortes
Que o leão oba!
Vou ter mais garra que a cigarra
Canta chuá, chuá!

É o nosso laço
Parece um abraço
Nossa respiração
Parece canção

Vou ter saúde como o mamute
Mais que urso polar
Mais energia que a andorinha
Tem quando quer voar

Letra: César Mello e Cléo Lima Música melodia: César Mello

sábado, 5 de novembro de 2011

Palmada educativa ou violência contra a criança?



Há alguns dias começou a movimentar a blogosfera um livro que, já no título, mostra a que veio: Tapa na Bunda - Como impor limites e estabelecer um relacionamento sadio com as crianças em tempos politicamente corretos, da educadora infantil (que medo!) Denise Dias.
Não, eu não comprei este livro, nem vou comprar. Este post não é uma dica de livro e, sim, uma pequena reflexão sobre este assunto, que mexe muito comigo. Vamos a ela, pois.

"Violência é uma coisa..."
Sei que as pessoas costumam relativizar a respeito disso. A violência sempre é praticada pelos outros. Violência infantil é espancar, mutilar, queimar uma criança com cigarro... Mas, ora, uma palmada e um puxãozinho de orelhas não fazem mal a ninguém; são até necessários para que a criança nos entenda e obedeça...
Eu não concordo com isso. Sim, existem níveis diferentes de violência, mas tanto o tapinha quanto o tapão são atos violentos. É estranho que essa gradação, tão aceitável quando falamos de nossas crianças, não ocorra quando se trata, por exemplo, de violência contra a mulher. Ninguém anda por aí (ainda bem!) defendendo a palmada educativa nas esposas que não se comportam. Por que com criança pode?
Isto não pode. (Ainda bem!)
Por que isto pode?


"Eu levei muita palmada quando criança e me criei, sobrevivi."
Um discurso que me irrita um pouco é este do "sobrevivemos". Eu não sei vocês, mas desejo que meu filho seja mais que um "sobrevivente". Quero que ele seja feliz, realizado, que tenha boas recordações de sua infância, que seja uma boa pessoa, solidária, gentil, compassiva e empática. E acredito que o modo mais fácil de chegar a este resultado é por meio do exemplo. Se ele sentir isso em casa, se perceber que seus pais se esforçam para compreendê-lo, para enxergar o mundo pelas lentes de seu olhar infantil - que está descobrindo e tentando desvendar este Universo pleno de novidades - ele vai, naturalmente, agir assim com as pessoas. Se não lançarmos mão de violência para lidar com ele, ele não aprenderá a ser violento.

"Um dia ele vai te tirar do sério..."
Eu não tenho dúvida disso. Um dia ele vai me testar, vai fazer birra, vai teimar... Ele vai me tirar do sério, sim, assim como de vez em quando minha família, meus amigos e até meu marido fazem. E eu nunca dei um tapa em nenhum deles por causa disso.

"Mas criança precisa de limite."
Eu concordo com isso. Mas isso acontece naturalmente. Obviamente, não deixaremos nosso filho fazer tudo o que quer, pois ele poderá se machucar, machucar outras pessoas, ficar doente, estragar objetos que não são dele, desrespeitar os outros, blá, blá, blá... A lista de coisas que são vetadas às crianças é enorme! Isso não é dar limite? Além disso, a autora cita a "falta de limites" (que ela entende como falta de tapa na bunda) como o fator responsável por "uma geração de delinquentes adolescentes". Aqui não caberia uma reflexão mais aprofundada? Não seria a falta de presença dos pais e o excesso de crianças "terceirizadas" um dos fatores responsáveis por tanta revolta e delinquência?


"Criança não entende conversa."
Tratar as crianças como bichinhos adestráveis também faz parte do modus operandi da criação de filhos há gerações. Se fizer o que a gente quer, ganha uma recompensa. Se não fizer, tapa na bunda. É bem fácil, né? Realmente funciona. A agressão física dói tanto, é tão humilhante, que a criança tenta não repetir mais o tal comportamento indesejado. Pra que dialogar, explicar, considerar e respeitar a criança? A vida é assim: manda quem pode e obedece quem precisa!
O livro de Denise Dias: um retrocesso.

Afff! Me deu uma tristeza saber desse livro...
Eu poderia falar muito mais sobre isso. Como eu disse, esse é um assunto que mexe muito comigo. Ainda me lembro da sensação de perplexidade, da humilhação e da dor (muitas vezes mais emocional que física) que senti nas vezes em que apanhei quando criança. É difícil admitir isso. Amamos tanto nossos pais que ansiamos por justificá-los, nem que isso signifique reproduzir os erros deles. Não podemos culpá-los, é verdade. Por gerações e gerações, "umas boas palmadas" foram o modo de educar. Assim, não precisamos de livro idiota nenhum para nos ensinar a utilizar-se de tapas para educar nossos filhos. É só fazer o que sempre se fez...
Por isso tudo, para que o cenário mude, é preciso que cada pai e cada mãe busque, lute, peça por discernimento e serenidade para fazer diferente. Não sei ainda como será quando meu pequeno crescer, só sei que não quero nunca ultrapassar esta fronteira sem volta que se chama agressão física. Gostaria muito que fossem publicados mais livros que me ajudassem nesta difícil tarefa. A Editora Matrix (que, paradoxalmente, parece não ter saído da Matrix) decidiu fazer o contrário: dar vez e voz a ideias primitivas, fomentando a violência e o desrespeito com as crianças, e, o que é pior!, vendendo isso como se fosse a coisa mais revolucionária do mundo. Lamentável!

Para ler a entrevista da autora, clique aqui.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Babies: dica de filme

Bayar, Ponijao, Hattie e Mari na aventura de viver.


Anda um pouco difícil blogar nos últimos dias. O filhote anda exigindo mais minha atenção, afinal ele já não é mais um bebezinho, que aceita ficar no colo sem fazer nada enquanto a mamãe escreve alguma coisa. Meu bebezão quer muita brincadeira, passeios, movimentação... aja criatividade da mamãe para dar conta de entreter público tão exigente... :-)

Bem, pra dar uma movimentada por aqui, deixo uma dica de filme: o belo documentário Bebês, um filme divertido, gostoso, com belas imagens, que acompanha o primeiro ano de vida de quatro bebês: Ponijao, da Namíbia; Bayar, da Mongólia; Mari, do Japão e Hattie dos Estados Unidos.
As diferenças culturais entre eles funcionam como pano de fundo, contudo o que o documentário nos mostra é o que essas pessoinhas têm em comum: a doçura, a curiosidade, a vontade de explorar este mundão de meu Deus e a capacidade (por que a perdemos?) de se admirar e se divertir com o que os cerca.
Cuti-cuti na última!





Título original: Bébé
Duração: 79 minutos
Gênero: Documentário
Direção: Thomas Balmès
Ano: 2010
País de origem: França

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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Benjamin: 5 meses!

Ben sapeca.
 
Meu bebezinho está se tornando um bebezão. Hoje faz 5 meses que ele chegou, enchendo nossos corações de luz e alegria.
Cada dia mais adorável, nosso menininho já brinca com tudo que lhe chega às mãos, aprendeu a gargalhar e só quer saber de ficar sentado. Anda muuuito curioso com as comidas, principalmente com o colorido das frutas. Gosta muito de brincar conosco no tapete, de passear no sling e de ficar um tempão vendo as folhas das árvores balançarem com o vento. Acha muita graça em ver a gente fazendo barulhos com a boca e macaquices, e nós, para vermos seu lindo sorrisão, nos prestamos, é claro. Muito conversador, meu geminiano comunicativo, já pronuncia vários fonemas diferentes e adora fazer "brrrrrrruuuuuu", com direito a muitas bolinhas de baba. Tudo uma gracinha!
É nosso pequeno grande companheiro, já tendo ido várias vezes almoçar fora conosco e passear no parque, fazer "trilha" no mato para colher frutas, curtir um cineminha com a mamãe e até uma exposição de arte.

Benjamin, meu filho, você é tudo de bom!

Eu não quero cantar
Pra ninguém a canção
Que eu fiz pra você
Que eu guardei pra você
Pra você não esquecer
Que tem um coração
E é seu tudo mais que eu tenho
Tenho tempo de sobra
Tenho um jogo de botão
Tenho essa canção


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Registros da Slingada

Como eu já tinha dito aqui, a semana que passou foi a Semana Nacional de Incentivo ao Sling. Aqui em Porto Alegre ela se encerrou com chave de ouro com um lindo encontro de mães e bebês (e pais também) no Parque da Redenção, em uma tarde de domingo ensolarada e cheia de energia boa.
A queridíssima Liliane Bueno, da Baby Koalla e representante da Babywearing Brasil em Porto Alegre, coordenou o encontro, ensinando como usar o sling e dando várias dicas preciosas para as mamães que já sabiam, mas ainda tinham dúvidas.
O Ben se divertiu, encontrou os amiguinhos, andou de colo em colo, e a mamãe adorou participar de uma atividade tão bonita.
Como uma boa imagem diz mais que mil palavras, deixarei vocês com as belas fotos de Giles Camargo, que fez um trabalho muito bacana registrando nosso encontro.









terça-feira, 18 de outubro de 2011

Benjamin na TV!

Olhem meu pequeno e eu em uma matéria sobre doulas que foi gravada na Luz Materna para o Programa Hoje em Dia da Rede Record Porto Alegre. Ele é ou não é um lindo?
Assinado: Mamãe Coruja

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Bésame mucho

Terminei ontem um livro lindo sobre o cuidado com nossos filhos intitulado Bésame mucho, do pediatra espanhol Carlos González. 
Bésame mucho propaga uma puericultura ética, que respeite as crianças como pessoas completas, defendendo que não seja atribuído a elas um status inferior àquele atribuído aos adultos, ou seja, que não façamos com elas coisas que não faríamos a nossos pais, companheiros e amigos. Por exemplo, não costumamos deixar nossa mãe falando sozinha quando tem um problema; por que deixaríamos nosso filho chorando quando está triste, magoado, frustrado? Não nos passa pela cabeça dar uma "palmada educativa" em nosso cônjuge quando ele não age de acordo com nossas expectativas; por que consideramos aceitável fazê-lo com nossos filhos? Não castigamos um amigo por ter quebrado algum um vaso valiosíssimo herdado de nossa bisavó; por que castigamos nossos filhos em uma situação assim, quando o erro de deixar um objetos desses ao alcance de uma criança foi nosso?
Eu adorei este livro pois o autor defende com uma linguagem simples, exemplos práticos e argumentos consistentes muitas coisas nas quais eu acreditava ou que intuitivamente os pais e mães fazem (ou gostariam de fazer) mas os pediatras e especialistas "não deixam" (que poder damos a eles, não é?): compartilhar a cama com a criança, levá-la no colo sempre que quiser e deixá-la mamar à vontade, entre outras coisas.
É uma leitura que nos enche de confiança em nós mesmos como pais e mães e que nos ajuda a nos conectar com nossos instintos e a compreender que quando isso acontece, tudo se torna simples e prazeroso.

Infelizmente, o livro não foi traduzido para o português, li-o em espanhol (é bem fácil). Download aqui.
Este é Carlos González, falando sobre o sono das crianças.
"Tem que estabelecer limites! O meu limite é este: não deixo meu filho chorar!" Adorei!




segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Semana Nacional de Incentivo ao Sling

Hoje se inicia a Semana Nacional de Incentivo ao Sling (10 a 16 de outubro de 2011). O sling é um dos itens que considero básicos no meu dia a dia com o Benjamin. Tenho dois e uso-os muito.

Slings são carregadores de bebês feitos de tecido para levar o bebê junto ao corpo. O sling ainda é pouco conhecido por essas bandas, o que pode fazer com que pareça algo super diferente e modernoso, mas na verdade carregar os bebês em tipóias (tradução de "sling) é um hábito bastante comum entre muitos povos da África e da Ásia.

Eu slingo, tu slingas, elas slingam...
"Vestir" o bebê

Para definir o ato de carregar os bebês no pano, William Sears, pediatra estadunidense, cunhou o termo babywearing, algo como "vestir o bebê". Esta prática permite não só manter as mãos livres para fazer as atividades cotidianas como também (e esta é a melhor parte!) auxilia no estreitamento dos laços pai-mãe-bebê, pois a proximidade com os filhotes nos torna mais receptivos às necessidades deles. Por consequência, bebês "slingados" geralmente são mais tranquilos, choram  menos e não sofrem com cólicas.
Slingando Ben.

Contudo, o uso do sling não é intuitivo. Não foi tão fácil utilizá-lo no início. Eu tive um pouco de receio; Ben sentia isso e chorava quando eu tentava colocá-lo. Percebi que o segredo era estar na boa, confiante, pra poder "vender" a ideia para o pequeno. E aí a coisa fluiu. Colocava ele no sling e dançava, colocava roupa na máquina, varria o chão... e ele dormia, juntinho de mim, ouvindo meu coração e sentindo meu calor. Uma maravilha! Hoje não saio sem um dos slings. Posso ir ao banco, no supermercado, no shopping, no parque...
Passeamos por aí, só nós dois, de ônibus, a pé ou de táxi, graças a esse simples e utilíssimo pedaço de pano. Ainda estamos aprendendo, não consigo muito bem amamentar no sling, mas, como eu sou brasileira e não desisto nunca, sei que chegaremos lá.
A seguir alguns vídeos que me ajudaram com os slings:









E a programação da semana?
Para comemorar a Semana Nacional de Incentivo ao Sling, nada melhor que slingar, não é? E que tal slingar fazendo coisas diferentes, como ir ao cinema ou passear no parque? Pois vamos lá!

13/10 - Quinta- feira - Porto Alegre - Cinematerna
Sessão às 13h30min - Unibanco Arteplex do Bourbon Country
Após o filme,  workshop com Liliane Bueno, da Baby Koalla, com dicas de uso e benefícios do sling no Café do próprio cinema.

16/10 - Domingo - Porto Alegre - 16h
Encontro de mães e seus bebês com slings
Workshop com dicas de uso e benefícios do sling, também com Liliane Bueno
Parque Farroupilha - Redenção - próximo ao monumento do Expedicionário.

Leia também:
Mães relatam benefícios do "sling", carregador de pano para bebês, matéria da Folha de São Paulo
Babywearing: O que é?, por Denise Gurgel, fisioterapeuta materno-infantil

Mais informações em:
Slingando - A web do Baby Sling
Carrego no Pano

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Guest post: Papai escreve sobre doulas

Quem ler meu relato de parto verá que tivemos o acompanhamento de uma doula, a queridíssima Fabiana Panassol.  
O nome "doula" vem do grego "mulher que serve" e indica aquela que dá suporte físico, emocional e espiritual à parturiente. De minha parte, sempre digo que a presença da doula foi essencial para que meu filho chegasse ao mundo da maneira como sonhei. Quando relato minha experiência, observo que muitas gestantes também gostariam de contar com este apoio em seu parto, porém, dizem elas, os maridos mostram-se bastante reticentes com esta "novidade". Muitos dizem que não se sentiriam bem com uma terceira pessoa presente ou argumentam que estão aptos, eles mesmos, a auxiliar a mulher, utilizar medidas de conforto e ampará-la. 
 Comentei isso com o marido que - amado que só ele! - concordou em escrever um texto relatando a importância que a presença da doula teve pra ele no nosso grande dia.  Espero que outros papais leiam e se permitam pensar no assunto sem preconceitos e de coração aberto.

Doula: apoio para a mãe, mas também para o pai.
 De partos e doulas
(por Abramo Luí de Barros, pai do Benjamin)



A sala estava quase às escuras. O grande refletor, intimidante com suas múltiplas lâmpadas, pairava apagado sobre o leito. Silêncio. Nada de palavras em voz alta, nem gritos de incentivo. Um aparelho de som mudo em um canto era um símbolo do ambiente respeitoso, quase sagrado, que havia no recinto. As máquinas, incontornáveis, lá se encontravam, mas seus mostradores e alarmes desligados estavam em sintonia com a quietude do momento. A maca vazia testemunhava uma mulher que perambulava à vontade, seminua a princípio, e depois livre de qualquer coisa que a distraísse da missão para a qual se preparara por nove meses. Havia dor, mas era aliviada pela liberdade de movimentos, pela escolha da posição mais confortável, pela presença solidária dos que estavam à volta e pela expectativa quanto ao pequeno ser que logo chegaria.

E chegou da mesma forma como foi esperado: tranqüilo, sem choro, com os olhos virgens abertos, sem receberem a mágoa de inéditos fachos de luz. Uma comemoração quase em sussurro, mas não pouco emocionada, acolheu Benjamin. Os sorrisos e lágrimas de seus pais, a satisfação da médica obstetra, o entusiasmo das enfermeiras que vieram para torcer, e a alegria serena da doula.

Doula? O homem que se depara com esta palavra provavelmente já está familiarizado com a idéia de parto humanizado. Não preciso aqui explicar as vantagens do parto natural, pois há muita informação de qualidade à disposição. Pela mesma razão posso dispensar-me de definir o que é a doula. O sentimento masculino em relação a estes dois conceitos, tão novos para ele, é bastante diferente.

Normalmente guiado pela busca de sua mulher, o homem é apresentado a um mundo novo de possibilidades para o nascimento de seu filho, e facilmente se torna um adepto desta forma de conduzir a concepção. Somos todos educados pela televisão, pelo cinema, por nossas famílias!, a ver o parto como algo extremamente dolorido, horrível, com grandes chances de apresentar algum problema. É então com alívio que descobrimos que esta é apenas uma maneira de nascer, não a melhor e com certeza não a que queremos para nosso filho.

Começamos assim a ler sobre o assunto, a aprender, a rebater os argumentos contrários dos ditos especialistas, e logo decidimos que estaremos aptos a resolver tudo no dia do parto. Ora, pensamos, para que uma doula? Se eu mesmo posso tomar conta da situação, para que colocar mais alguém no processo? Já escolhemos a dedo um bom obstetra, por que investir dinheiro em uma pessoa que provavelmente vai apenas atrapalhar o serviço médico? Não, não posso aceitar uma intrusa que vai querer influenciar as decisões da mãe e certamente irá competir comigo, homem acostumado a resolver o que é melhor para a minha família.

Infelizmente para nosso orgulho, nós, homens, não podemos resolver tudo. Nosso apoio é importante, a mulher valoriza muito ter em seu marido ou namorado um companheiro de verdade. Mas não basta. O parto é um momento muito feminino para ser completamente compreendido por nós. A maior boa vontade, as conversas, as massagens e outros recursos que tenhamos aprendido não substituirão a cumplicidade que pode existir entre duas mulheres durante o trabalho de parto. O que a mulher busca é alguém com quem ela se identifique, alguém que saiba o que se passa em seu íntimo e que entenda sua dor; alguém com autoridade para dizer que dá para resistir mais ou que é hora de buscar novas alternativas. Isso o homem não pode oferecer; falta a ele, evidentemente, a experiência pessoal de dar a luz.

Além disso, por mais que leiamos e procuremos aprender sobre o nascimento de uma criança, a maioria de nós provavelmente nunca enfrentou um parto. Também neste aspecto nos falta experiência, e de certa forma sempre faltará, pois cada nascimento de um filho será um fato novo. Não temos o distanciamento profissional – que de modo algum é frieza ou indiferença – que a doula possui. Por este mesmo motivo não é possível substitui-la por sua mãe ou por sua sogra, que também ficarão ansiosas com a situação, além de levarem inevitáveis influências das impressões, nem sempre positivas, dos próprios partos que tiveram.

Nosso despreparo pode fazer de nossa presença um incômodo adicional. Acostumados que estamos a querer solucionar os problemas racionalmente, ficamos nervosos com os múltiplos enigmas do trabalho de parto. Há muitos gritos, perdas de fluidos que não sabemos o que significam, falsos alarmes, mudanças drásticas de humor, contrações cada vez mais intensas, sofrimentos aparentemente intoleráveis – é um processo que, como a própria natureza, não segue um planejamento rigoroso, não se desenvolve de forma previsível, não concede qualquer certeza de quando ou como terminará.

A insistência em querer estar no controle da situação nos deixa aturdidos e aflitos, e rapidamente, em vez de mantermos o compromisso prévio de tentar um parto o mais natural possível, começamos a achar mais e mais tentadora a ideia de encerrar tudo de uma vez – com uma anestesia, um indutor de parto, quem sabe até uma cesárea. Assim, além de todas as inseguranças que podem acometer a mulher neste momento crucial, ela tem de lidar também com a nossa insegurança, e nos convertemos em mais um fator de preocupação.

O parto não é uma experiência masculina. Não é a pretensa capacidade analítica nem a força do macho que irão conduzi-lo agora. Em um momento tão feminino, somente uma mão também feminina evitará que o futuro pai seja um mero observador assustado ou sinta-se um intruso. Ele necessita de alguém que gentilmente assuma o comando, com a suavidade e a determinação das mulheres, que sem diminui-lo ou constrangê-lo mostre o papel fundamental que lhe cabe: dar à sua mulher a presença carinhosa e segura que ele sempre proporcionou, sem a preocupação de provar que sabe exatamente como agir. O homem, atordoado diante de tantas coisas acontecendo fora do seu controle, descobre na doula uma guia valiosíssima, livra-se da angústia de não entender como ser útil, afasta-se da obrigação imposta por ele mesmo de fazer alguma coisa, para conseguir aquilo que sua mulher mais precisa: estar ali inteiro, deixando as decisões práticas para quem realmente entende. Ele se torna, de repente, mais que um companheiro aos olhos de sua amada, um homem ainda mais próximo, pronto para compartilhar o futuro, pronto para ser pai.

Minha mulher e eu não filmamos o parto de nosso filho; as poucas fotos que tentei tirar sofreram da falta de iluminação do ambiente e do cansaço do fotógrafo, muito mais interessado em se envolver realmente na maravilha que se descortinava à sua frente que em registrá-la. Não importa: participar como participei daquele momento fez do parto uma experiência ainda mais inesquecível e emocionante do que já é. Meu filho nasceu enquanto sua mãe estava de cócoras, de costas para mim, com meus braços segurando seu corpo. Enfrentamos juntos os momentos mais difíceis e juntos choramos ao ver nosso pequeno Benjamin. Talvez, sem a nossa companheira doula, eu tivesse me contentado em ser somente aquele pai que nos filmes fica nervoso do lado de fora, andando de um lado para o outro com um charuto no bolso.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Tão real...

Acabei de encontrar esta tira aqui e achei tão engraçada irônica e, infelizmente, tão real que fui obrigada a postar no blog.

E aí, mamíferas, isso vos é familiar?

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Benjamin: 4 meses!

Ben lindo.
 
Hoje nosso filhote completa 4 meses de vida!
É paradoxal o fato de ter passado tão rápido e, concomitantemente, parecer que ele está aqui desde sempre, tamanha é a riqueza da experiência de tê-lo conosco.
A cada dia ele se desenvolve mais, está mais fofo e simpático. Acorda sempre de bom humor. Procura-nos com aqueles olhões brilhantes e expressivos e, ao nos encontrar, abre uma sorrisão "derrete mamãe e papai" dos bons! "Bom dia,filho!", dizemos. Não tem mau humor ou desânimo que resistam à companhia deste pequeno ser humano, tão amado que chega a doer.
Esses dias ele estava em meus braços e pegou no sono mamando. Senti meus olhos marejados pela emoção de tê-lo comigo e tive um desejo muito grande de que de alguma forma vivêssemos pra sempre aquele momento, tal eram a perfeição e a grandeza contidas nele. Sei que isto não é possível, ele vai crescer e (incrível!) nossa vida com ele será cada vez melhor e mais rica. E como ele cresce e muda a cada dia, sentimos, Abramo e eu, a necessidade de colher cada momento, cada suspiro, cada sorrisinho e cada descoberta com todos os sentidos, com intensidade, com a mais profunda e genuína paixão.

E não são poucas as descobertas de nosso filhote! Como ele já é um bebê "grande", anda muito envolvido com suas mãos, pois já entendeu que são elas as grandes responsáveis por trazer o mundo até ele (depois, caminhando, ele irá até o mundo, mas, calma lá!, isso já é outra etapa...), por pegar toda sorte de objetos que são automaticamente levados à boca. Então, agora temos em casa um gurizinho bastante curioso, que olha pra tudo, tenta pegar tudo, não quer perder nada. Com essas mesmas adoradas mãozinhas, ele começou a encostar em nossos rostos, o início dos carinhos na mamãe e no papai, ao que temos que ter um coração bem forte para resistir, pois é muitíssimo enternecedor.
Outra diversão do Ben é levantar bem as pernas e jogá-las para um lado e para outro, já se preparando para "a grande virada". Fica um tempão se divertindo assim... Continua adorando música, dança e, nos últimos dias, temos contado histórinhas pra ele, às quais ele ouve bem atento, olha o livro com atenção, tenta pegá-lo...e colocar na boca, obviamente!

Benjamin, hoje é um lindo dia, porque você existe!

Ah! E, com vocês, a música do momento!

domingo, 18 de setembro de 2011

Mais instinto e menos razão

Colo à vontade...

...mamá sempre que quiser...
...e soninho com a mamãe.
Qual é o mamífero que nega isso para seus filhotes?


"Não pegue muito este menino no colo, ele vai ficar manhoso..."
"Se você deixar ele dormir na sua cama, ele nunca mais vai sair de lá."
"Ele está fazendo seu peito de chupeta, você vai ficar escrava dele..."



Essas são somente algumas frases que uma mãe de primeira viagem (talvez as de segunda e de terceira também) ouve bastante por aí. São conselhos, são preocupaçãoes que as pessoas têm, tudo na maior boa
intenção, sei disso. Mas penso que são reflexo de uma cultura que tem uma visão bastante distorcida dos bebês.

Primeiro, existe uma crença de que as crianças são más. Exagero? Pensem bem. Anda pairando por aí - muitas vezes, infelizmente, sustentada por pediatras - a ideia de que os bebês são manipuladores, de que se aproveitarão dos pais, de que nos escravizarão. É só analisar o discurso contido nestas frases, as quais não inventei; ouvi eu mesma de pessoas amigas, de familiares ou de profissionais da área da saúde.

Segundo, elas estão imbuídas de uma grande preocupação com bem-estar. Com o MEU bem-estar. As pessoas se preocupam comigo, com a minha necessidade de tempo para "fazer as minhas coisas", com minha
necessidade de ficar a sós com meu marido, com as dores na minha coluna, etcetera, etcetera. Não deveriam estar em primeiro lugar as necessidades do ser menor e mais indefeso da díade?

Por fim, percebe-se a noção errônea de que os comportamentos e necessidades dos bebês permanecem os mesmos, indefinidamente, à medida que eles crescem; como se o excesso de colo que dou hoje, a livre demanda na amamentação ou a cama compartilhada serão exigências de meu filho para sempre. Como se não houvesse um desenvolvimento natural e uma modificação e um aumento da complexidade das necessidades de uma criança.

É só observar um bebê pra ver como não é assim que funciona. Tudo muda o tempo todo. É a impermanência na sua face mais prática. O próprio Benjamin, que recém completará 4 meses, já pede bem menos colo que no início, pois, muitas vezes, prefere ficar brincando em seu tapete. Imaginem quando o bebê começa a engatinhar e a andar... Acho que eles devem até fugir de nosso colo, pois tem todo esse mundão de meu Deus pra explorar. É ou não é? Com a amamentação é a mesma coisa, a necessidade de sugar vai diminuir naturalmente, e sei que morrerei de saudade desses momentos só nossos... Então, por que não aproveitar agora? Além do que, acho uma grande inversão esta história de "fazer o peito de chupeta". O que veio primeiro? O peito ou a chupeta? Quem imita quem? Não sou radicalmente contra a dita cuja, mas também não morro de amores por ela. Para mim ela é o ÚLTIMO recurso - quando colo, acalanto, mamá, musiquinha, brinquedo, dança não resolvem, aí eu ofereço a chupeta. Às vezes, Benjamin aceita, às vezes, não. Bem, mas falarei disso em um outro momento...
Quanto à dormir pra sempre na minha cama? Sinceramente, alguém consegue imaginar o Benjamin, já adolescente, chegando em casa e dizendo: "Ô, mãe, chega pra lá que hoje trouxe minha guria pra dormir com a gente." Não, né?

O que quero dizer com tudo isso é que, agora que tenho meu bebê, fico assustada com essas crenças e bem preocupada pelos outros bebês. Pelo que vejo as pessoas estão deixando o racional sobrepujar o instintivo,
em uma relação onde quanto mais deixamos nossos instintos se manifestarem, melhor. Estão agindo pensando muito no depois, como que "cortando o mal pela raiz". Como não poderão dar toda esta atenção pra sempre para os bebês, não devem dá-la agora, para não "acostumá-los mal".

Não creio que seja por aí. Não acredito que meu filho esteja agindo de modo manipulador quando chora pedindo colo; que, de caso pensado, fique mamando em meu peito durante horas, com o intuito de que eu não faça mais nada; muito menos,  acho que ele peça pra dormir conosco só de sacanagem, o pequeno tirano só não quer deixar papai e mamãe sozinhos, mas se viraria numa boa em seu quarto escuro e solitário. Creio que ele está me pedindo o que precisa neste momento; que, por enquanto, desejo e necessidade são a mesma coisa para ele; que, à medida que o tempo passa, ele naturalmente conquistará sua independência, sua autonomia, e precisará cada vez menos de mim. Mas não posso impor isso a ele agora, tão pequetitinho que é. Posso estar errada, minhas escolhas podem ser condenadas por outras mães, por pediatras, por psicólogos... Vou cometer erros, com certeza, como todas as mães. Mas estou tranquila por seguir meus instintos, por sentir e me conectar com meu bebê, por buscar me manter sempre de coração aberto para os pedidos de meu pequeno, indefeso e lindo mamífero.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Recado do Ben: Já passei de fase!

Gestação...
 

...e exterogestação.


Já estou com 3 meses, gente. Faz alguns dias que mamãe se deu conta de que, agora, estou me tornando um bebê "grande", não mais um recém-nascido.
Mamãe e papai "estudaram" bastante durante a gravidez. Na verdade, a mamãe é toda de seguir seus instintos e sua intuição, mas ela também é chegada em uma teoria, ah!,é sim. Ainda mais quando a teoria reforça o que ela acha que é certo...
Pois é, antes de eu nascer, minha mãe andou lendo sobre uma tal de Teoria da Exterogestação, dum cara grandão lá dos States chamado Harvey Karp. Ele diz que os recém-nascidos humanos, em comparação aos outros mamíferos, são mais imaturos, já que a gente nasce e não sai caminhando por aí como um bezerrinho ou uma girafinha. A gente é beeeem mais dependente dos cuidados da mamãe que as outras espécies, é ou não é?
Então, o fato é que minha mãe comprou a ideia do tio Harvey, e ela e papai fizeram de tudo para que meus primeiros contatos com esse mundo aqui fossem bem tranquilos, sem traumas...
É, gente, se coloquem no meu lugar! O vivente passa umas 40 semanas em um lugar gostoso, quente, onde não existe fome, frio, onde todas as necessidades são automaticamente satisfeitas, ouvindo as batidas do coração da mamãe 24 horas por dia. De repente, algo acontece; teu reino vai ficando cada vez mais apertado, tu tem que sair, não tem jeito. Não bastasse tudo isso, tu não ouve mais as batidas do coração da tua mãe, te deixam num lugar frio e estático que os adultos chamam de berço, a pança dói e tu não sabe por quê, já que nunca sentiu nada parecido antes... Cara, é uma barra chegar neste mundo... E se os adultos não tentam ter empatia com a gente, daí o cara tem mais é que chorar mesmo, pois não é fácil.

Mas eu tive sorte pra caramba. Como eu estava contando, meus coroas cuidaram de mim se baseando na teoria essa. E não é que dá certo mesmo? Minha mãe ficava comigo nos braços o máximo possível de tempo e me dava a teta sempre que eu pedia. Mesmo que fosse a cada dois minutos ou mesmo que eu quisesse ficar ali durante duas horas. Deixaram até eu dormir com eles para que eu pudesse mamar mais tranquilo, me sentisse mais seguro e a mamãe pudesse descansar melhor pra me fazer um bom leite. Ela e papai resolveram que eu sou a pessoa mais importante daqui de casa, eles dizem que sou prioridade. Não sei o que esta palavra significa, mas deve ser algo bacana, pois a mãe deixa a louça na pia ou tudo por fazer só pra ficar comigo. Outra coisa que eles fizeram foi me dar banho no balde nos primeiros tempos. O balde é apertadinho, me fazia lembrar do útero da mamãe. A mãe diz que o balde é bem melhor que a banheira tradicional, pois na banheira, no início, a gente se sente mais inseguro, jogamos a cabeça pra trás, abrimos os braços, sentindo como se fôssemos cair, devido a um reflexo dos bebêzinhos chamado Reflexo de Moro.
Eu em meu balde, nos primeiros tempos...
...e me despedindo.


Que legal tudo isso, né pessoal? Eu gostaria que os outros bebêzinhos do mundo também tivessem esse tratamento... E passa muito rápido esta fase, galera. Eu mesmo, do alto dos meus 3 meses, já tô em outra. Outro dia andava meio agitado à noite, e meus pais tiveram a ideia de me colocar no berço. Eu me espalhei, abri bem os braços e dormi super bem. Passei assim algumas noites, depois quis voltar. O bom é que o berço tá ali coladinho na cama de meus pais, então vou e volto quando quero, mamo, me aconchego se faz frio, fico no meinho deles se estou me sentindo sozinho, mas se quero me espalhar, a mãe me coloca no berço e durmo com os anjos. Outra novidade é que agora não quero mais tanto colo, às vezes quero ficar no meu berço ou no meu tapete; estou aprendendo a brincar, fico um tempão conversando com meu cavalo-móbile ou brincando com minhas mãozinhas. E o banho de balde? Não dá mais, gente, tô grandão, não caibo mais nele...
Agora estamos todos curtindo minhas novas descobertas e vibrando com as habilidades que venho desenvolvendo. Sempre com muito respeito aos meus sentimentos, já que sou pequeno, mas sou uma pessoa, né?
Sabem de uma coisa? Tô achando uma delícia viver!

Aprendendo a brincar! Iupi!


Leia mais sobre a Teoria da Exterogestação aqui.
A mamãe escreveu este texto inspirada por um livro bem bacana, Bebês de Mamães mais que Perfeitas, de Cláudia Rodrigues, que fala de vários assuntos relacionados a nós, bebês, a partir de nosso ponto de vista.

domingo, 4 de setembro de 2011

Leite de mãe


A mãe e o bebê acabam de chegar.
Nascidos. Unidos.
Formam um. Indivisíveis.
Pedem tempo. São o tempo.
Nada separa seus corpos em
Dueto de amor e intimidade.
A seiva brota, jorra, espirra,
cura, afaga e alimenta.
Leite é Fonte. Pão. Água.
É sentimento mantra:
Eu me dou. Eu te dou. Eu me dou. Eu te dou.
Em você, sou!
Na dança evolutiva, civilizamos.
Mas o ancestral não se cala.
Ainda que por cima, joguemos panos.
Uma teta que apareça é
Coração fora do peito!
Quando bicho procura a cria.
A fome não conhece paredes.
Não se tira peixe da água,
Não se prende ave em gaiola,
Não se priva filho de leite.
Que a Vida seja celebrada
Que a Beleza seja dividida
Que a Sede seja de Poesia
E que o Leite seja de mãe,
À luz do dia,
Sagradamente.
Fafi Prado. maio de 2011.
( Texto da performance LEITE de MÃE por Projeto Matilha)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

As fraldas da flexibilidade

Ser mãe é uma excelente oportunidade de aprendizado e de autoconhecimento. Desde que Benjamin nasceu tenho aprendido mais e mais a cada dia sobre mim mesma e sobre a vida.
Uma das grandes lições que tive até agora veio através das fraldas de meu filho. Me explico: sou uma pessoa que, na medida do possível, busca diminuir sua pegada ecológica no mundo. Sou vegetariana, busco consumir o mínimo possível, reaproveitar, reciclar, comprar somente o necessário, entre outras atitudes hoje ditas sustentáveis.
Assim, quando engravidei (e mesmo antes de engravidar) eu SABIA que minha escolha seria pelas fraldas de pano. Quando engravidei, com ajuda de minha mãe e de minha sogra (queridas!), preparei meu estoque. Compramos tecido, cortamos, lavamos, costuramos. Garimpei calças plásticas em várias lojas do Centro da cidade. Pesquisei como dobrar, como tirar manchas, como lavar. Pronto! Era só esperar meu Ben, pois a questão das fraldas estava resolvida. Estava?
Quando Benjamin chegou em casa, o inverno gaúcho chegou junto. Dias e dias chuvosos, muita umidade, ou, quando despontava o sol, o frio era tão brabo que molhar as mãos na água do tanque era sinônimo de dedos congelados. Mas eu TINHA que usar as fraldinhas de pano. Pensava em quanto tempo uma fralda descartável leva para se decompor, pensava em meus princípios, na coerência, no meio ambiente e persistia. Assim foi por um mês.
Foi horrível! A troca tinha que acontecer a cada duas horas, muitas vezes vazava tudo, o tanque ia enchendo de fraldas com cocô pra esfregar, passar sabão de glicerina, água quente, bicarbonato pra tirar manchas e, por fim, deixar de molho em água com vinagre e sabão até encher o balde para colocar tudo na máquina. E o balde enchia... Todo santo dia. E a chuva não parava. E a umidade não cessava. E tudo isso tendo que amamentar um lindo menininho quase o tempo todo. (Esta última parte foi boa, muito boa! rsrsrs!)
Até que um dia me vi esgotada, triste por esperar com ansiedade que meu filho dormisse para ir lavar as fraldas, com as mãos ressecadas e com alergia do sabão...
Fui confrontada com minha sombra (processo que entendi melhor lendo este livro), com aspectos de minha personalidade que mantenho escondidos, que não admito, mas que estão ali, e naquele momento eles gritavam, eles faziam questão de aparecer bem clara e dolorosamente pra mim.
Aline, pra que ser tão orgulhosa? Pra que ser tão dura consigo mesma? Por que ser tão pouco flexível?
Os seres humanos erram, não têm que ser sempre coerentes, têm o direito de voltar atrás, direito de mudar de ideia... Sim, os seres humanos, os outros... EU, não. O que ficou claro nesta minha epifania das fraldas é que muito facilmente sou um general comigo mesma, me cobro muito, me falta jogo de cintura quando o assunto sou eu. E é muito difícil admitir isso tudo, por puro orgulho.
Contudo, a ideia não é me chicotear em praça pública (na verdade, é o contrário). Doeu, foi difícil, mas foi bom.
E então, o foi que eu fiz com tudo isso? Primeiro, meu marido saiu pra comprar fraldas descartáveis (que tenho usado desde então). Este foi o impacto em minha vida prática. Mas foi em minha vida emocional, em termos subjetivos e psicológicos, que esta história se converteu em uma grande lição.
Pode parecer muito bobo tirar um ensinamento disso, porém a "novela das fraldas" me ensinou que eu, como pessoa mas principalmente como mãe, tenho que ser mais flexível. Mães e pais têm que ser "total flex", pois o cotidiano com os pequenos exige isso de nós. Além disso, aprendi que não preciso ser super-mulher, que não tenho obrigação de fazer tudo de modo ideal. O grande lance é priorizar, e eu priorizei estar mais disposta para cuidar de meu filho, ter mais tempo para amamentá-lo e acalentá-lo. O preço foi o lixo do banheiro ter ficado mais pesado. Mas minha vida ficou mais leve.





Fraldas de pano. Quem sabe no verão?


domingo, 21 de agosto de 2011

Benjamin: 3 meses

Hoje nosso filhote completa 3 meses de pura fofura. Ele é BEN lindo, BEN faceiro, BEN tranquilo, BEN esperto, BEN amado,  BEN da gente.
Filho, teu pai e eu sempre adoramos esta canção, mas ela adquiriu mesmo significado quando chegaste em nossas vidas. Assim, a dedicamos a ti, nosso beautiful boy.



BEAUTIFUL BOY
(John Lennon)
Close your eyes
Have no fear
The monster's gone
He's on the run and your daddy's here
Beautiful, beautiful, beautiful
Beautiful boy
Beautiful, beautiful, beautiful
Beautiful boy
Before you go to sleep
Say a little prayer
Every day in every way
It's getting better and better
Beautiful, beautiful, beautiful
Beautiful boy
Beautiful, beautiful, beautiful
Beautiful boy
Out on the ocean sailing away
I can hardly wait
To see you come of age
But I guess we'll both just have to be patient
'Cause it's a long way to go
A hard row to hoe
Yes it's a long way to go
But in the meantime
Before you cross the street
Take my hand
Life is what happens to you
While you're busy making other plans
Beautiful, beautiful, beautiful
Beautiful boy
Beautiful, beautiful, beautiful
Beautiful boy
Before you go to sleep
Say a little prayer
Every day in every way
It's getting better and better
Beautiful, beautiful, beautiful
Beautiful boy
Darling, darling, darling
Darling BEN...

sábado, 20 de agosto de 2011

A Maternidade e o Encontro com a própria Sombra

Alguns livros são mais que livros, eles nos acompanham, aparecem na hora certa e se tornam nossos amigos. Assim foi para mim o livro A maternidade e o encontro com a própria sombra, de Laura Gutman (já publiquei um texto dela aqui). Estava vivendo a quarentena, uma fase ao mesmo tempo linda e difícil, de reconhecimento, descoberta, adaptação... Sentia-me um pouco solitária, um pouco louca, um pouco criança indefesa. Sentia muito, muito amor por meu bebê e só queria saber dele perto, bem perto de mim, sem dar muita atenção a mais nada.
O livro de Laura ajudou-me a entender o que acontecia comigo. Ela diz que é preciso "atravessar o puerpério em um estado de consciência de outra ordem. É preciso que as mães enlouqueçam um pouco, e para isso elas precisam do apoio daqueles que as amam, que lhes permitam abandonar sem risco o mundo racional, as decisões lógicas, as idéias, a atividade, os horários, as obrigações. É indispensável submergir nas águas do oceano do recém-nascido, aceitar as sensações oníricas e abandonar o mundo material”.
Com um texto lindo e sensível, Laura nos convida a vivenciar a maternidade de modo natural e instintivo, a dar ouvidos ao bicho-fêmea que somos, ao mesmo tempo que nos atenta para a enorme oportunidade de autoconhecimento que o maternar pode nos trazer.
Indico este livro para todas as mamães, pois ele lança um olhar amoroso e alternativo a assuntos importantíssimos para o mundo materno, como amamentação, parto e puerpério, sono infantil, introdução de alimentos, desfralde, o papel do pai, entre outros. (Indico-o para os papais também! Vai ajudá-los a entender melhor suas companheiras e a educar com mais consciência seus filhotes.)
Vale cada palavra!





Nas palavras de Laura Gutman:

Este livro foi escrito para mulheres. Não é um guia para mães desesperadas, mas um lugar de descanso na estrada, onde podemos pensar sobre nós mesmas enquanto mães, criando nossos filhos com nosso lado ensolarado e nosso lado sombra, emergindo e expandindo de nossos vulcões internos.
Muitos aspectos escondidos de nossa psique feminina são expostos e ativados com a chegada de nossos filhos.  Estes são momentos reveladores de experiências mística, se formos capazes de experimenta-los como tal, e se tivermos suporte para confronta-los. Esta é uma oportunidade para olhar para as idéias pré-concebidas, os preconceitos e atitudes autoritárias embutidos em nossas opiniões sobre maternidade, criação de filhos, educação, relacionamentos familiares e comunicação entre adultos e crianças.
Nessas páginas encontraremos palavras para nomear o indefinível: os estados alterados de consciência do pós-parto, os campos emocionais em que entramos com nossos bebês, a inevitável insanidade e aquele sentimento de não mais nos reconhecermos. Convido você a pisar comigo nessa estrada, com a liberdade de colher apenas o que possa lhe ajudar ou dar suporte.  Espero que este livro contribua para gerar mais questões, criar mais espaços para a sincera troca entre mulheres e facilitar encontros, comunicação e solidariedade.