domingo, 4 de setembro de 2011

Leite de mãe


A mãe e o bebê acabam de chegar.
Nascidos. Unidos.
Formam um. Indivisíveis.
Pedem tempo. São o tempo.
Nada separa seus corpos em
Dueto de amor e intimidade.
A seiva brota, jorra, espirra,
cura, afaga e alimenta.
Leite é Fonte. Pão. Água.
É sentimento mantra:
Eu me dou. Eu te dou. Eu me dou. Eu te dou.
Em você, sou!
Na dança evolutiva, civilizamos.
Mas o ancestral não se cala.
Ainda que por cima, joguemos panos.
Uma teta que apareça é
Coração fora do peito!
Quando bicho procura a cria.
A fome não conhece paredes.
Não se tira peixe da água,
Não se prende ave em gaiola,
Não se priva filho de leite.
Que a Vida seja celebrada
Que a Beleza seja dividida
Que a Sede seja de Poesia
E que o Leite seja de mãe,
À luz do dia,
Sagradamente.
Fafi Prado. maio de 2011.
( Texto da performance LEITE de MÃE por Projeto Matilha)

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