sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Obrigada, Ano Velho!

2011 terminando, bem no finalzinho. Logo ali, dobrando a esquina, 2012 nos espera, novinho em folha, pra gente fazer o que quiser com ele. Que beleza, hein?

Nesta época pipocam projeções, esperanças, promessas e expectativas de tudo que queremos fazer e desejamos para o Ano que se iniciará dentro de pouco tempo. Contudo, hoje, nestes dias que precedem as Festas, eu quero manter o foco no que passou, nas realizações e nos presentes que o Universo me trouxe neste já velhinho 2011. E quando olho pra trás e tento sintetizar meus sentimentos em uma única palavra, ela é Gratidão. Gratidão pela chegada de Benjamin e por tudo de bom que ele trouxe consigo. Gratidão pela família, pelos amigos e por tantas pessoas iluminadas e do bem que têm me aparecido pelo caminho. Gratidão pela vida e pela oportunidade de progresso e crescimento que recebo a cada dia.
Gratidão, gratidão, gratidão. 2011 foi um ano maravilhoso!

Todavia, não posso deixar de falar de 2012, nosso Ano bebê, que está quase nascendo.
Desejo que em 2012 renovemos nossas esperanças. Que cultivemos a bondade, a alegria e a compaixão. Que em 2012 cada um e cada uma de nós busque erguer dentro de seu próprio lar um microcosmo de paraíso, cheio de amor, calor, carinho e cuidado. Que cada criança se sinta protegida e amada e ouvida e amparada dentro de sua casa. Ainda que o mundo lá fora esteja longe de ser o ideal, se nossas crianças crescerem em um ambiente onde são cultivados valores positivos como amor, respeito e não-violência, teremos, no futuro, adultos de espírito forte, de coração aberto e amoroso, homens e mulheres do bem, preparados para atuar neste mundo de forma positiva, fazendo dele um lugar melhor. Eu acredito nisso! E vocês?


Feliz Natal e até o ano que vem!


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Benjamin: 7 meses

Ben se divertindo com uma cenoura.

Sete meses... Sei que é lugar comum dizer isto, mas parece que foi ontem que ele chegou. Ao mesmo tempo, parece que ele sempre esteve aqui conosco, tão preenchida nossa vida se encontra de sentido e de alegria que quase não nos lembramos como era antes.

Benjamin, Ben, Pequeno Príncipe, Biscoitinho da mamãe, Beijinho de coco da vovó, Pulguinho do papai, mondonguinho :-D,  Ben-ben, meu agarradinho, meu menino, amor da nossa vida, todos os dias agradeço por você, meu filhote.
Você já cresceu tanto, já é um bebê "grande". Já fica sentado sozinho, escolhendo os brinquedos que quer. Já experimentou vários legumes e frutas e demonstra ser bom de garfo, meu pequeno vegetariano. Já tem dois lindos dentinhos. Já demonstra contentamento e alegria quando ouve as músicas que gosta. Faz festa, bem faceiro, quando abrimos a porta para sair, pois adora passear. Adora o DVD da Galinha Pintadinha, mas adora mais ainda que sentemos com você no chão, explorando novas (e velhas) brincadeiras, cantando cantigas, batendo palmas e fazendo caretas (e a gente perde totalmente o medo do ridículo, é verdade). É louco por tomar água no copo, como os adultos; um encanto! Apesar de todo esse crescimento, você continua adorando um colinho, um aconchego, e sendo fã do mamá, precisando dele varias vezes durante o dia, mas sobretudo na hora de dormir e durante a noite (thanks, cama compartilhada, eu não conseguiria sem você). E acorda sempre de bom humor, um sorriso encantador que nos ilumina e faz todos os dias lindos, faça chuva ou faça sol.

Benjamin, você é uma festa!

E mesmo correndo o risco de ser piegas, meu filhote, hoje quero te dedicar esta canção do "Rei", que muitas vezes já embalou seu sono.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ina May Gaskin e o projeto Parto pelo Mundo

Nós não queremos nossas mães assustadas, nós queremos que elas tirem da experiência de parto uma sensação de poder.
(Ina May Gaskin)

Assistam esta entrevista com a parteira estadunidense Ina May Gaskin, onde ela nos fala um pouco do modelo tecnocrático vigente no que diz respeito à assistência aos nascimentos, do medo e da ignorância a respeito do parto e da necessidade de respeito aos ritmos da mulher para que este seja um acontecimento respeitoso e empoderador.







Esse vídeo é uma realização do projeto Parto pelo Mundo, que busca modelos de parto centrados na mulher e ações em prol da humanização do parto ao redor do mundo.
Visite o site. É um projeto muito lindo!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Por que fazemos cama compartilhada?

Atuar contra a natureza como espécie conduz irremediavelmente à perda do bem-estar.
(Tine Thevenin, in The Family Bed)




Hoje quero falar de um assunto polêmico no mundo da maternagem: a cama compartilhada, a prática de dormir com os bebês. Sei que é um tema cercado de preconceitos. Eu e meu marido, antes de engravidar, sequer imaginávamos a possibilidade de, quando tivéssemos filhos, deixá-los dormir conosco.
Durante a gravidez começamos a repensar, a nos informar sobre a prática, mas as dúvidas pipocavam: e não é perigoso? E o risco de sufocamento? E não tem que ensinar o bebê a ter o espaço dele? E se ele não aprender a dormir sozinho? E? E? E?
...E eis que chega Benjamin, fazendo-nos rever conceitos e abandonar preconceitos. Nos primeiros dias, ele dormiu no carrinho ao lado de nossa cama. Acordava para mamar (o que é o mesmo que dizer acordava toda hora) e depois voltava para o carrinho.
Cansaço, olheiras, mamãe dormindo sentada e com medo de deixar a cria cair no chão... Até que, passados alguns dias, Benjamin à noite começou com aquele choro de cólica (ou que se diz ser de cólica, agora nem sei mais...). Chorinho doído, dor profunda, tadinho... Massagens, acalanto, passeio... a fralda tá limpa? Tá. Será que é fome? Não. Então tomamos A decisão: Vamos colocar ele aqui com a gente. Lembro que Abramo esquentou a bolsinha térmica e deitei Ben a meu lado, barriga com barriga, a bolsinha entre nós dois. E dormimos. Os três.
A partir daí, esta começou a ser a nossa prática. Esquentamos a bolsinha mais algumas noites, depois vimos que não precisava. O choro não era de dor, era de saudade. Estando a nosso lado, sentindo nosso calor e nossa presença, Benjamin não chorava. Hoje quando digo que não passamos NENHUMA noite em claro com ele ninguém acredita.
Acabamos nos informando mais sobre o assunto e nos tornando adeptos da prática da cama compartilhada. Não somente por ser uma delícia. Não somente por ser mais prático. Não somente por sermos uns dorminhocos preguiçosos. Mas porque é nosso instinto, porque nos sentimos mais seguros e, last but not least, por contribuir fortemente para o sucesso da amamentação.

Sobre a questão instintiva, não preciso dizer muito. É só olhar em volta e observar o mundo mamífero. Filhotes e pais dormindo juntinhos, emboladinhos, em um sono gostoso e restaurador. Isso contribui muito para o vínculo entre os pais e o bebê, pois quanto mais próximos ficamos de nossos filhotes, maior a nossa capacidade de entender o que eles nos comunicam, compreender sua linguagem.

A respeito da segurança, nos sentimos mais seguros tendo nosso filho perto de nós do que dormindo sozinho em outro quarto. Se engasga, eu socorro. Se está descoberto, cubro. Se puxa o lençol por cima, tiro. Como ficamos mais conectados ao nosso bebê acabamos acordando ao menor sinal de que ele não esteja bem. Pelo menos comigo acontece assim. Outra razão pró-cama compartilhada é que, segundo alguns especialistas, com a respiração dos pais (inspirando oxigênio,liberando gás carbônico) o bebê é estimulado a respirar sempre (porque, lembremos, eles não respiravam na barriga). Assim, diminuem as chances de uma Síndrome da Morte Súbita, por exemplo.
É claro que se deve observar algumas normas de segurança ao compartilhar a cama com o bebê, como certificar-se de que seu colchão é firme e liso e que os lençóis estejam seguramente ajustados; não dormir com o bebê se tiver consumido álcool, alguma droga ou medicação ou se for fumante; e evitar camisolas ou pijamas com laços e cordões longos. Mas é tudo bem simples, né?

Por fim, tem o aspecto amamentação. A cama compartilhada é ouro para o aleitamento em livre demanda. Enquanto a mãe dorme há um aumento na produção de leite, pois os níveis do hormônio prolactina (responsável por esta produção) são maiores durante a noite. E o "coquetel" hormonal não para por aí: altas doses de ocitocina, o hormônio do amor, atuam na "descida" do leite, e endorfinas fornecem prazer e tranquilidade.
Mas no cenário do bebê dormindo em um berço em outro quarto, a coisa ocorre de um jeito um pouco diferente: entra em cena a adrenalina, hormônio que não combina nada com noites tranquilas de sono. Sabe por quê? Porque a mãe tem que acordar, sair do quentinho da cama, para ir atender a um bebê que provavelmente já está bem acordado e, mais provavelmente ainda, chorando. Esta mãe tem que fazer um grande esforço para manter-se acordada enquanto amamenta. Tem que ajudar o bebê a adormecer novamente, sendo grande o risco de choro quando se faz a transferência do colo quente da mãe para o berço gelado.Até que ela consegue fazer o bebê dormir, sai do quarto pé ante pé, deita em sua cama... e sofre, pois dentro de poucas horas começa tudo de novo! Não é à toa que muitas mães, podres de cansaço, acabem caindo na tentação de dar um "NAN-feijoada" para a criança dormir a noite toda, pois, a longo prazo, uma rotina assim acaba sendo muito massacrante. E aí encontramo-nos a um passo do desmame precoce: para que a prolactina (lembra dela?) seja produzida são necessárias as mamadas noturnas. Sem mamada, nada de prolactina, nada de leite. "Meu leite acabou, e agora?" Entenderam o drama?

Ok, tudo muito bom, tudo muito bem. Mas e a intimidade do casal, coméquefica? Pela minha experiência, fica muito bem, obrigada. Pode-se deixar o bebê no bercinho nanando enquanto os pombinhos namoram, ou se pode desbravar outros espaços da casa. Ajuda, inclusive, a sair da rotina, é ou não é? Se o casal se ama e quer ficar junto, sempre se dá um jeito...

Bem, amig@s, era mais ou menos isso que eu tinha pra dizer. Sei que a cama compartilhada está longe de ser unânimidade entre mamães e papais, e eu respeito as escolhas de cada um, na boa. Contudo, quis escrever este texto pois vejo que outros tantos papais e mamães gostariam de trazer seus filhotes para dormir junto com eles, porém não o fazem por medo, por preconceito, por causa das opiniões dos outros ou por "n" inúmeras razões que nada têm a ver com seus desejos e escolhas pessoais. É para essas pessoas que escrevi este post.

Eu poderia falar mais, porém prefiro indicar algumas leituras bem mais informativas e didáticas do que sou capaz de fazer.
Dormindo com bebês - Texto muito bom de Alysson Muotri, biólogo do blog Espiral
Grupo Soluções para Noites sem Choro
Cartilha da UNICEF Partilhar a cama com seu bebê - Um guia para mães que amamentam

Não deixem também de assistir a esta animação do site The Food of Love sobre as diferenças entre os sistemas "cada um na sua" e "tudo junto reunido". É muito fofo! É só clicar no link.

Breastfeed in your sleep

Depois de tudo isso, alguém ainda pode me perguntar: "E se ele nunca mais sair da sua cama?" Quer saber? Não estou nem um pouco preocupada. Quero mais é sentir o bafinho de leite e o cheirinho de meu Ben perto de mim o tempo que der. Sei que vai passar, sei que ele não vai ser pra sempre o meu "agarradinho", então o negócio é aproveitar!

Ilustração Mama is...Comic