quarta-feira, 21 de março de 2012

Benjamin: 10 meses!

Mamãe e Ben: Agarradinhos.
Oba! Dez meses do Ben, mesversário de meu "bimbo". Fofura, fofura. Todo dia temos uma novidade, é incrível! Já estão surgindo mais 2 dentinhos. Ele anda conversando muito e "bundinhando" por aí. Já faz que "não" com a cabeça (acho que mais pela curtição de balançar a cabeça, mas às vezes quer dizer não mesmo). Adora gavetas e portas (perigo!) é só quer saber de brincar. A diversão dos últimos dias é virar a caixa de brinquedos até esvaziar e entrar para dentro da caixa. Ah, é divertido mesmo, né?
Nem tenho muito tempo de escrever hoje, pessoal. Tem um gurizinho me chamando pra rolar no chão com ele. Delícia!

Deixo vocês com um clipe que ele adora de uma de nossas canções de "fazer nana". É lindo!

quinta-feira, 15 de março de 2012

Tem lugar pra gente?



Cena 1 - Um casal, em virtude da comemoração do aniversário do marido, decide ir almoçar  em um tradicional restaurante, localizado no Mercado Público de Porto Alegre. Queriam há muito experimentar este lugar e era dia de festa, então juntou-se a fome e a vontade de comer. Lá foram os três. Ah! Esqueci de dizer que o casal este da história tem um bebê, um lindo bebê de 9 meses, o qual eles procuram incluir, tanto quanto possível, em todas as atividades de suas vidas. Assim, era óbvio que o bebê participaria da comemoração. O casal chega ao lugar, fila de espera, restaurante cheio. "Tem cadeirinha para o bebê?" "Tem sim, senhor." Ok, decidem esperar. Após alguns minutos chega a vez deles. Entram, se acomodam, o garçom traz o cardápio. "O senhor, por favor,poderia me trazer uma cadeirinha para o bebê?" "Desculpe, senhora, mas A cadeirinha está ocupada. Mas assim que desocupar, eu trago para a senhora." O casal fica meio chateado... "Puxa! Eles só têm uma cadeirinha? Mas, tudo bem, daqui a pouco ela vem, vamos pedir, a fome tá grande!" E o casal faz o pedido. E vem a entrada, e vem o prato principal, e vem a sobremesa e vem o cafezinho...E a cadeirinha? A cadeirinha não veio nunca.

Cena 2 - Uma mãe sai de casa com seu bebê. Para chegar ao destino pegam um ônibus daquela que é considerada pela Associação Nacional dos Transportes Públicos "a melhor empresa de ônibus urbano do país". É uma linha que eles usam sempre e a mãe não tem reclamações. Os cobradores e motoristas são sempre muito gentis e dizem que mamãe e bebê devem descer pela porta da frente. Na verdade é algo óbvio, se formos analisar a situação: além do bebê, a mãe geralmente carrega uma bolsa ou mochila com roupinhas, brinquedos, água, lanche, fraldas para o bebê. É impossível sair sem este kit. Para conseguir dar conta de carregar tudo isso sozinha, a mãe leva o bebê em um carregador de bebê ou sling. É ou não é difícil passar pela roleta? Pois bem, voltando ao nosso fatídico dia, chega a hora de a mãe descer e ela paga a passagem e diz à cobradora: "Eu prefiro descer pela frente, tudo bem?" "Não tem preferir, a senhora tem que passar a roleta", a cobradora responde de um jeito ogro plus. "Mas quem pode sentar nestes bancos (os bancos amarelos reservados a deficientes, idosos, gestantes, obesos e pessoas com crianças no colo, que ficam na parte da frente do ônibus), não pode descer pela frente?" "Só os isentos." "Grávida é isento?" "Não, mas grávida tem dificuldade para passar a roleta." "E eu não?" "A senhora tem que passar na roleta, como todo mundo. Regras da empresa." A cobradora vira o rosto e passa a ignorar a mãe. A mãe olha para o motorista, que também faz cara de poucos amigos. A mãe decide passar a roleta, não sem dificuldades. Desce do ônibus sentindo-se desrespeitada e humilhada. Horas depois liga para o 0800 da empresa para fazer uma reclamação e verificar a veracidade da tal regra: "Senhora, sentimos muito, mas é esta mesmo a regra da empresa, imposta pela EPTC. Na verdade, deixar a mamãe com bebê descer pela porta da frente vai muito da boa vontade do cobrador". A mãe se sente como Blanche Dubois, personagem de Um Bonde chamado Desejo, a qual "sempre dependeu da bondade de estranhos".

Cena 3 - Duas amigas, ambas mães de bebês, decidem almoçar fora. Elegem, para isso, o mais antigo restaurante especializado em comida vegetariana da cidade, um que fica ali no Bom Fim, frequentado por dezenas de famílias todos os domingos após o tão porto-alegrense passeio com chimas pelo Brique da Redenção. Para facilitar nossa narração, vamos chamar os personagens de Mamãe 1, Bebê 1, Mamãe 2 e Bebê 2. Bem,então estavam os quatro almoçando, se divertindo, conversando... O lugar tinha cadeirinhas para os dois bebês. É claro que sim, este é um restaurante super família. Não é como aquela lá da Cena 1, mais frequentado por casais e adultos em geral. Nãããão! Aqui vem um monte de crianças... Tava tudo muito bom, tudo muito bem, até que Bebê 1 manifestou vontade de fazer cocô. Bebê 1 tem uma peculiaridade: ele não gosta de fazer cocô na fralda. Sempre que quer fazer cocô, Mamãe 1 tem que levá-lo até o trocador, tirar a fralda e esperar que ele faça cocô, ou então colocá-lo no peniquinho. (Alô, você, pessoa sem bebês, que esquece que já foi um e, às vezes, esquece até que tem mãe: os bebês são pessoas e tem suas peculiaridades, ok? Desculpem, não resisti a este parêntese.) Além de todo kit supracitado na Cena 2, obviamente a mãe não consegue carregar também um penico, certo? Então vamos levar Bebê 1 ao trocador. Mamãe 2 diz: "A gente sempre vem aqui, nunca precisei de trocador, mas deve ter com certeza... Muitos bebês vêm aqui." Ela estava enganada. Não tinha trocador. Mamãe 1 vai com Bebê 1 até o atendente, que também parece ser um dos donos do restaurante, e relata o problema. O homem responde de forma grosseira: "Usa o banco ali no corredor (local onde ficam a entrada e a saída do restaurante, ou seja, com intenso movimento de pessoas). Todo mundo faz isso, ué." Como assim? Um bebê não tem o direito à privacidade? Um bebê tem que se sujeitar a ficar nu, a fazer cocô na frente de todo mundo? Não seria a mesma coisa que, ao perguntar pelo banheiro em um estabelecimento, lhe respondessem: "Não tem banheiro, não. Mas faz ali no cantinho. Todo mundo faz assim, ué"? Resumo da ópera: Mamãe 1 + Bebê 1 e Mamãe 2 + Bebê 2 foram embora no mesmo instante. (Não se preocupem. Neste estabelecimento a conta é paga antes de almoçar, então elas saíram correndo, mas não sem pagar a conta. Elas são mães indignadas, mas não foras-da-lei.) Foram embora tristes, desenxabidas... Gostavam muito daquele restaurante que oferece comidinha verde, orgânica, gostosa e bem feita. Mas a gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e respeito a nós e a nossos bebês.



Infelizmente, essas não são histórias de ficção.Em um intervalo de 10 dias, as três aconteceram comigo ou com pessoas muito próximas a mim. Isso me fez refletir. Nossa cidade (nossa sociedade?) está pronta para acolher nossos bebês? Esses foram casos isolados? Acho que não. Se paro pra pensar, me dou conta que muitos dos restaurantes que costumava frequentar não têm estrutura para que eu leve meu filho. E, gente, quando falo estrutura, não estou querendo um "espaço baby" com brinquedos e recreacionistas. Estou querendo uma cadeirinha e um trocador. Isso é pedir muito? O que eu entendo que eles me dizem quando não tem essas coisas? Bebês não são bem-vindos, é o que entendo. Não temos espaço pra eles, não oferecemos o mínimo que eles precisam para ser atendidos dignamente: um lugar para sentar e um espaço privado para trocar suas fraldas. Vai ter gente que vai dizer: "Restaurante não é lugar de criança mesmo. Elas fazem barulho, atrapalham quem quer comer descansado. Quem quer ter filhos que fique em casa." Infelizmente, tem muita gente que pensa assim. Acho que isso vai ao encontro de tudo que se diz por aí sobre incluir, aceitar, tolerar diferenças. É tão egoísta, tão pequeno. Acho equivalente a dizer que restaurante não é lugar de idosos, pois eles andam devagar e demoram muito no buffet; ou então que não é lugar de obesos, pois eles ocupam muito espaço e comem demais, para não citar outros exemplos.
Quanto à norma da EPTC em relação às roletas, descobri que nem mesmo as gestantes estão liberadas de passá-las. Só existe uma norma no que diz respeito aos obesos, com IMC igual ao superio a 30: "Estará autorizado o embarque pela porta dianteira do ônibus, não transpondo a roleta, desde que pague o valor da tarifa." Contudo, gestantes e mães com bebês não poderiam ser incluídas nesta mesma diretriz? A norma não está errada? Se você também acha que sim, reclame lá.
Gostaria de acrescentar que nós, mães, somos um público consumidor e merecemos respeito. Não pagamos menos, não temos desconto por estarmos com um bebê no colo. Assim, temos o direito de ser respeitadas. Vamos fazer valer esse direito, vamos fazer nossa voz ser ouvida. Vamos pedir trocadores nos restaurantes. Vamos escrever cartas para os legisladores. Vamos fazer barulho! O maravilho projeto Cinematerna (do qual Benjamin e eu somos frequentadores fieis) nasceu assim: um grupo de mães que queria ir ao Cinema com seus bebês. Elas se organizaram e 10 mães com seus bebês - entre 20 dias e 4 meses de idade - "invadiram" um cinema. Mais mães foram se juntando ao grupo. Alguns meses depois, uma rede de cinemas acolheu-as e hoje é uma inciativa maravilhosa que está se espalhando pelo Brasil. Elas conseguiram. Nós também podemos!


Sim! Nós podemos!
Você sabe de algum lugar Baby Friendly ou Family Friendly em Porto Alegre? Indique aqui nos comentários. Vamos divulgar!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Shantala: amor em forma de toque - Curso na Luz Materna

Hoje quero divulgar uma atividade muito especial. É o curso de Shantala da Luz Materna, com a Fabiana Panassol. É ótimo! Eu e Abramo fizemos o Curso para Casais quando ainda estávamos grávidos. Foi um presente maravilhoso que demos a nós mesmos e a nosso filho. É um momento gostoso, em que se aprende a fazer a massagem e se sente, na pele, literalmente – já que a Fabi ensina  a técnica de modo muito estimulante e sensorial – a importância do toque e do afago. O curso de shantala é uma vivência linda, de intimidade e amor tanto entre o casal quanto entre papai, mamãe e bebê.  


Esta próxima edição do curso será destinada a mamães com bebês. Será no dia 16 de março, a partir das 10h, na Luz Materna (Av. Osvaldo Aranha, 1070, sala 404, Bom Fim, Porto Alegre). A inscrição deve ser feita até amanhã, 15 de março. Informações e agendamento pelo fone 9718 9693 ou pelo e-mail doulafabiana@yahoo.com.br.

 Shantala
A Shantala é uma massagem milenar indiana, sem registro de quando surgiu exatamente em Kerala no Sul da Índia. Foi descoberta quando o médico francês Frédérick Leboyer, de passagem pela Índia, se deparou com a cena de uma mulher numa calçada pública massageando seu bebê. Seu nome era Shantala, ela era paraplégica e estava numa associação de caridade em Pilkhana, Calcutá.

Shantala traduz um momento especial oferecendo a oportunidade dos pais terem um contato mais prolongado com o bebê. O toque carinhoso é a melhor forma dos pais se aproximarem do bebê após um dia de trabalho, transmitindo amor e carinho através das mãos. Esse contato ajudará muito os pais a conhecerem o corpo do seu bebê e como se comunicam, isso é muito importante e ajudará em muito nos dias difíceis da criança.

(Denise Gurgel)

domingo, 11 de março de 2012

Dr. González nos fala sobre dar colo aos bebês

Pessoas queridas, nossa Semana Carlos González está chegando ao fim. Meu objetivo lá no início era divulgar um pouco de material sobre este pediatra cujas ideias me apaixonam. Espero que tenham gostado e que essa minha iniciativa tenha despertado em algumas mães (e em pais, em cuidadores, em pessoas que desejam ter filhos um dia...) a vontade de ler e conhecer mais a fundo o que diz o Dr. González. Eu mesma, durante esta semana, descobri muitos textos e materiais novos, todos interessantíssimos. Em um dos textos que li, González diz que, no início de sua carreira, ele era um outsider devido ao ponto de vista que defendia, mas que hoje não é mais, pois mais e mais pessoas vêm defendendo um modo de criar os filhos mais amoroso, empático e respeitoso. Que assim seja!

Fiquem agora com González falando - em catalão com legendas em espanhol - sobre a importância de dar colo a nosso filho quando ele quer colo, pois um dia ele não vai querer mais, e quem perderá mais seremos nós mesmos.

Os dias mais felizes de seu filho estão por chegar. Depende de você!  (Carlos González)

sábado, 10 de março de 2012

Por que o bebê chora quando a mãe sai do quarto ?

 Está quase terminando a nossa Semana Carlos González. Hoje, com vocês, um texto que explica por que razão os bebês, sobretudo recém-nascidos, choram quando ficam sozinhos em seus quartos. Boa leitura!

Sem a mamãe.

Com a mamãe.

O imediatismo é uma das características do pranto infantil que surpreende e aborrece algumas pessoas. "Basta deixá-lo no berço que começa a chorar como se estivessem matando-o".
Para alguns especialistas em educação, esta constitui uma característica desagradável do caráter infantil e o objetivo é vencer seu “egoísmo” e “teimosia”, ensinar-lhe a atrasar a satisfação dos seus desejos. Por que razão não tem um pouco mais de paciência, por que não pode esperar um pouco mais ?
Poderíamos compreender que, 15 minutos depois de a mãe partir, começassem a ficar um pouco inquietos; que meia hora depois começassem a choramingar e que duas horas mais tarde chorasse com todas as suas forças. Isso pareceria lógico e razoável. É isso que nós, adultos, fazemos, assim como as crianças mais velhas, depois de termos “ensinado” a ser pacientes, não é verdade ? Mas, em vez disso, os nossos filhos pequenos começam a chorar com toda a força enquanto se separam da mãe; choram ainda com mais força (o que parecia ser impossível !) cinco minutos depois e apenas deixam de chorar quando ficam exaustos. Não parece lógico!
Mas é lógico. Começar a chorar imediatamente é o comportamento “lógico”, o comportamento de adaptação, o comportamento que a seleção natural favoreceu durante milhões de anos, porque facilita a sobrevivência do indivíduo. Numa tribo, há 100.000 anos, se um bebê separado da mãe chorasse imediatamente a plenos pulmões, a mãe provavelmente iria buscá-lo de imediato. Porque essa mãe não tinha cultura nem religião, nem conhecia os conceitos de “bem”, “caridade”, “dever” ou justiça”; não cuidava do filho por pensar que essa era a sua obrigação ou porque temia a prisão ou o inferno. Muito simplesmente, o choro do filho desencadeava nela um impulso forte, irresistível, de acudi-lo e confortá-lo. Mas se um bebê se mantivesse calado durante 15 minutos e depois chorasse baixinho e apenas chorasse a plenos pulmões em 2 horas, a mãe poderia estar longe demais para ouvir.
Esse grito tardio já não teria qualquer utilidade para a sua sobrevivência, contribuindo, pelo contrário, para acelerar o seu fim. Porque agora, os gritos de angústia de uma cria abandonada seriam música para os ouvidos das hienas.
Além disso, se refletirmos um pouco, veremos que esse comportamento que nos parece “lógico” e “racional” perante a separação da pessoa amada, esperar um pouco e aborrecer-se gradualmente, apenas é adotado pelos adultos quando esperam confiantemente o regresso da pessoa ausente. Imagine que a sua filha de 15 anos está na escola. Durante o horário escolar, você não sente qualquer preocupação relativamente a essa separação, porque sabe perfeitamente onde ela se encontra e quando vai regressar (o seu filho de 2 anos saberá onde você se encontra e quando você volta? Mesmo que lhe expliquem, não consegue compreender). Se passarem 30 minutos da hora em que deveria chegar em casa, certamente você começará a sentir os primeiros temores (“o ônibus atrasou”, “deve estar conversando com os amigos”). Se se atrasar mais do que 1 hora, começará a aborrecer-se (“estes filhos, parece mentira, são uns irresponsáveis, pelo menos podia ter telefonado, foi para isso que lhe comprei o celular”). Se ela se atrasar 2 ou 3 horas, você começará a telefonar para as amigas, para ver se ela está na casa de alguma. Se 5 horas depois ainda não tiver aparecido, você estará chorando, ligando para os hospitais, porque pensa que foi atropelada. Depois de 12 horas, chorará cada vez mais, irá à polícia, onde lhe vão explicar que muitos adolescentes fogem de casa por qualquer motivo, mas quase todos voltam dentro de 3 dias. Durante 3 dias, você vai agarrar-se a essa esperança, mas cada vez chorará mais e, ao fim de 1 semana, será a imagem viva do desespero.
Mas imagine agora que tem uma grande discussão com a sua filha de 15 anos, na qual se proferem censuras e insultos graves e, por fim, ela mete alguma roupa velha numa mochila e grita “odeio você ! Odeio, estou farta desta família, vou embora para sempre, não quero ver você nunca mais”e vai-se embora, batendo a porta. Quantas horas espera alegre e despreocupadamente antes de começar a chorar ? Não começará a chorar ainda antes que ela saia de casa, não a seguirá pela escada, não correrá atrás dela pela rua, não tentará agarrá-la sem temer dar espetáculo na frente dos vizinhos, não se porá de joelhos à frente dela e suplicará, não se deterá apenas quando a exaustão a impedir de continuar a correr ? Parece-lhe que comportar deste modo possa ser “infantil” ou “egoísta” da sua parte ? Acha que ouviria os vizinhos dizerem “olha que mãe mais mal-educada, nem há 5 minutos que a filha foi embora e já está chorando como uma histérica. Certamente faz isso para chamar a atenção”? Sim, é fácil ser paciente, quando se está convencido de que a pessoa amada vai regressar. Mas não se mostrará tão paciente quando tiver dúvidas a esse respeito. E quando tiver certeza absoluta de que a pessoa amada não pensa em voltar, não será absolutamente nada paciente desde o início.
Não precisa esperar 15 anos para viver uma cena como a descrita. A sua filha já se comporta assim agora, quando você vai embora. Porque ainda é muito pequena para saber se você vai regressar ou não, ou quando vai regressar, ou se vai estar perto ou longe. E, por acaso, o seu comportamento automático, instintivo, aquele que herdou dos seus antepassados ao longo de milhares de anos, será começar a pensar sempre no pior. Cada vez que se separa de você , a sua filha irá chorar como se a separação fosse para sempre. (E o que dizer das mães que pretendem “tranqüilizar” os filhos com frases do estilo “se não se comportar, a mamãe vai embora” ou “se não se comportar, não gosto de você”?).
Dentro de 3, 4, 5 anos, à medida em que vá compreendendo que a mãe vai voltar, a sua filha poderá esperar cada vez mais tranquila e durante mais tempo. Mas não será por ser “menos egoísta” nem “mais compreensiva”, e muito menos porque você, seguindo os conselhos de qualquer livro, ensinou-lhe a adiar a satisfação dos seus caprichos.
Os recém-nascidos necessitam do contato físico. Provou-se experimentalmente que, durante a primeira hora depois do parto, os bebês que estão no berço choram 10 vezes mais do que aqueles que estão nos braços da mãe. Ao fim de alguns meses, é provável que se conformem com o contato visual. O seu filho ficará contente, pelo menos durante algum tempo, se puder ver a mãe e se ela sorrir-lhe ou falar com ele de vez em quando. Há 100.000 anos, as crianças de meses provavelmente nunca se separavam da mãe, porque isso significava ficarem no chão nus. Atualmente, estão bem protegidos num local macio, e, mesmo que o instinto lhe continue a dizer que estarão melhor no colo, são tão compreensivos e têm tanta vontade de fazerem-nos felizes que a maioria se resigna a passar alguns minutos na cadeirinha. Mas, assim que você desaparecer do seu campo visual, o seu filho começará a chorar como “se estivessem matando-o”. Quantas vezes se ouviu uma mãe dizer esta frase! Porque efetivamente a morte foi, durante milhares de anos, o destino dos bebês cujo pranto não obtinha resposta.
É claro que o ambiente onde criamos nossos filhos é atualmente muito diferente daquele em que evoluiu a nossa espécie. Quando você deixa seu filho no berço, sabe que ele não vai passar frio ou calor, que o teto o protege da chuva e as paredes, do vento, que não será devorado por animais selvagens; sabe que estará apenas a alguns metros, no quarto ao lado, que acudirá prontamente ao menor problema. Mas seu filho não sabe disso. Não pode sabê-lo. Reage exatamente como teria reagido um bebê do Paleolítico. O seu pranto não responde a um perigo real, mas a uma situação, a separação, que durante milênios significou invariavelmente perigo.
À medida em que vai crescendo, seu filho irá aprendendo em que caso a separação comporta um perigo real e em que caso não tem importância. Poderá ficar tranquilamente em casa enquanto você vai às compras, mas começará a chorar se estiver perdido no supermercado e pensar que você voltou para casa sem ele…
O pranto de nada serviria se a mãe não estivesse também geneticamente preparada para lhe responder. O pranto de uma criança é um dos sons que provoca uma reação mais intensa num adulto humano. A mãe, o pai e mesmo os desconhecidos sentem-se comovidos, preocupados e angustiados; sentem um desejo imediato de fazer algo para que o choro pare. Amamentá-lo, passear com ele, trocar a fralda, pegá-lo no colo, vesti-lo, despi-lo; qualquer coisa, desde que se cale. Se o pranto for especialmente intenso e contínuo, recorre-se ao pronto socorro (e muitas vezes com bons motivos).
Quando nos é impossível calar um pranto, a nossa própria impotência pode converter-se em irritação. É o que acontece, quando se ouve chorar noutro andar: as convenções sociais impedem-nos de intervir e, por isso, a situação é particularmente aborrecida para nós (“Mas o que estão pensando aqueles pais ?” “Não fazem nada?", “Aquele menino é um malcriado, os nossos nunca choraram assim !”). Muitos vizinhos criticam pelas costas ou repreendem as mães cujos filhos choram “demais” e alguns chegam até a bater na porta para protestar. Várias mães já me disseram: “O médico disse que o deixasse chorar porque chora sem razão; mas não posso fazer isso porque os vizinhos reclamam.” Com a mesma intensidade sonora, uma criança que chora num edifício incomoda-nos mais do que um trabalhador que martela um som de heavy metal.
Quando as normas absurdas de alguns especialistas impedem os pais de responder ao choro da forma mais eficaz (pegando o bebê no colo, tocando-lhe, cantando, amamentando-o…), que outra saída nos resta? Pode deixá-lo chorar e tentar ver TV, cozinhar, ler um livro ou conversar com o seu companheiro, enquanto ouve o pranto agudo, contínuo, dilacerante do seu próprio filho, um pranto que atravessa as paredes e pode prolongar-se por 5, 10, 30, 90 minutos ? E quando começa a fazer ruídos angustiantes como se estivesse vomitando ou sufocando ? E quando deixa de chorar tão de repente que, em vez de ser um alívio, imagina a criança parando de respirar, ficando branca e depois azulada? Estarão os pais autorizados a correr para o lado do filho ou isso seria considerado como “recompensá-lo pela choradeira” e até disso estão proibidos?
A outra opção é tentar acalmá-lo, mas sem pegar no colo, embalar ou amamentar. E porque não também com uma mão amarrada nas costas, para tornar a tarefa ainda mais difícil? Ou ligar ou rádio, rezar ou oferecer-lhe dinheiro?
Um especialista, o Dr. Estivill, propõe que lhe digamos o seguinte (a uma distância superior a um metro, de modo que os pais não toquem na criança): “Meu amor, mamãe e papai te amam muito e estão ensinando você a dormir. Dorme aqui com seu boneco… Até amanhã.”
Palavras de consolo e de amor verdadeiro que certamente acalmariam qualquer criança, seja qual for a causa do seu pranto, a partir de 6 meses ! Ainda que talvez nem mesmo o autor destas palavras acredite muito na sua eficácia tranquilizadora, pois adverte os pais que, uma vez pronunciadas, devem ir-se embora, mesmo que a criança continue a chorar e a gritar (a mal agradecida).
Em muitos países os maus tratos são um problema. Dezenas de crianças morrem todos os anos nas mãos dos próprios pais e muitas sofrem hematomas, fraturas, queimaduras… A pobreza, o álcool e outras drogas, o desemprego e a marginalidade contam-se entre as causas dos maus tratos. Mas também é necessário um catalisador. Por que bateram na criança hoje e não ontem? O pranto é um catalisador freqüente. “Chorava sem parar e não consegui suportar mais”. O que podem fazer os pais quando tudo o que serve para acalmar as crianças (peito, colo, canções, agrados) está proibido?
Do livro Bésame Mucho
Publicado no site Gravidez e Maternidade
Revisão: Aline Pereira de Barros
Não tenho os créditos de tradução. Se alguém souber de quem é, por favor, informe-me pelos comentários.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Nosso filhos são boas pessoas

Ouve-se muito por aí que as crianças são manipuladoras, que os adultos devem ser durões, senão elas abusam, que são egoístas e até que são más. Neste texto, cheio de ternura, o Dr. González nos mostra que é tudo uma outra coisa.


Se acharem melhor, podem ler o artigo em PDF aqui.

  

Tu hijo es una buena persona
Cuando una esposa afirma que su marido es muy bueno, probablemente es un hombre cariñoso, trabajador, paciente, amable... En cambio, si una madre exclama "mi hijo es muy bueno", casi siempre quiere decir que se pasa el día durmiendo, o mejor que "no hace más que comer y dormir" (a un marido que se comportase así le llamaríamos holgazán). Los nuevos padres oirán docenas de veces (y pronto repetirán) el chiste fácil: "¡Qué monos son... cuando duermen!"

Y así los estantes de las librerías, las páginas de las revistas, las ondas de la radio, se llenan de "problemas de la infancia": problemas de sueño, problemas de alimentación, problemas de conducta, problemas en la escuela, problemas con los hermanos... Se diría que cualquier cosa que haga un niño cuando está despierto ha de ser un problema.

Nadie nos dice que nuestros hijos, incluso despiertos (sobre todo despiertos), son gente maravillosa; y corremos el riesgo de olvidarlo. Aún peor, con frecuencia llamamos "problemas", precisamente, a sus virtudes.


Tu hijo es generoso

Marta juega en la arena con su cubo verde, su pala roja y su caballito. Un niño un poco más pequeño se acerca vacilante, se sienta a su lado y, sin mediar palabra (no parece que sepa muchas) se apodera del caballito, momentáneamente desatendido. A los pocos minutos, Marta decide que en realidad el caballito es mucho más divertido que el cubo, y lo recupera de forma expeditiva. Ni corto ni perezoso, el otro niño se pone a jugar con el cubo y la pala. Marta le espía por el rabillo del ojo, y comienza a preguntarse si su decisión habrá sido la correcta. ¡El cubo parece ahora tan divertido!

Tal vez la mamá de Marta piense que su hija "no sabe compartir". Pero recuerde que el caballito y el cubo son las más preciadas posesiones de Marta, digamos como para usted el coche. Y unos minutos son para ella una eternidad. Imagine ahora que baja usted de su coche, y un desconocido, sin mediar palabra, sube y se lo lleva. ¿Cuántos segundos tardaría usted en empezar a gritar y a llamar a la policía? Nuestros hijos, no le quepa duda, son mucho más generosos con sus cosas que nosotros con las nuestras.


Tu hijo es desinteresado

Sergio acaba de mamar; no tiene frío, no tiene calor, no tiene sed, no le duele nada... pero sigue llorando. Y ahora, ¿qué más quiere?

La quiere a usted. No la quiere por la comida, ni por el calor, ni por el agua. La quiere por sí misma, como persona. ¿Preferiría acaso que su hijo la llamase sólo cuando necesitase algo, y luego "si te he visto no me acuerdo"? ¿Preferiría que su hijo la llamase sólo por interés?

El amor de un niño hacia sus padres es gratuito, incondicional, inquebrantable. No hace falta ganarlo, ni mantenerlo, ni merecerlo. No hay amor más puro. El doctor Bowlby, un eminente psiquiatra que estudió los problemas de los delincuentes juveniles y de los niños abandonados, observó que incluso los niños maltratados siguen queriendo a sus padres.

Un amor tan grande a veces nos asusta. Tememos involucrarnos. Nadie duda en acudir de inmediato cuando su hijo dice "hambre", "agua", "susto", "pupa"; pero a veces nos creemos en el derecho, incluso en la obligación, de hacer oídos sordos cuando sólo dice "mamá". Así, muchos niños se ven obligados a pedir cosas que no necesitan: infinitos vasos de agua, abrir la puerta, cerrar la puerta, bajar la persiana, subir la persiana, encender la luz, mirar debajo de la cama para comprobar que no hay ningún monstruo... Se ven obligados porque, si se limitan a decir la pura verdad: "papá, mamá, venid, os necesito", no vamos. ¿Quién le toma el pelo a quién?


Tu hijo es valiente

Está usted haciendo unas gestiones en el banco y entra un individuo con un pasamontañas y una pistola. "¡Silencio! ¡Al suelo! ¡Las manos en la nuca!" Y usted, sin rechistar, se tira al suelo y se pone las manos en la nuca. ¿Cree que un niño de tres años lo haría? Ninguna amenaza, ninguna violencia, pueden obligar a un niño a hacer lo que no quiere. Y mucho menos a dejar de llorar cuando está llorando. Todo lo contrario, a cada nuevo grito, a cada bofetón, el niño llorará más fuerte.

Miles de niños reciben cada año palizas y malos tratos en nuestro país. "Lloraba y lloraba, no había manera de hacerlo callar" es una explicación frecuente en estos casos. Es la consecuencia trágica e inesperada de un comportamiento normal: los niños no huyen cuando sus padres se enfadan, sino que se acercan más a ellos, les piden más brazos y más atención. Lo que hace que algunos padres se enfaden más todavía. Si que huyen los niños, en cambio, de un desconocido que les amenaza.

Los animales no se enfadan con sus hijos, ni les riñen. Todos los motivos para gritarles: sacar malas notas, no recoger la habitación, ensuciar las paredes, romper un cristal, decir mentiras... son exclusivos de nuestra especie, de nuestra civilización. Hace sólo 10.000 años había muy pocas posibilidades de reñir a los hijos. Por eso, en la naturaleza, los padres sólo gritan a sus hijos para advertirles de que hay un peligro. Y por eso la conducta instintiva e inmediata de los niños es correr hacia el padre o la madre que gritan, buscar refugio en sus brazos, con tanta mayor intensidad cuanto más enfadados están los progenitores.


Tu hijo sabe perdonar

Silvia ha tenido una rabieta impresionante. No se quería bañar. Luchaba, se revolvía, era imposible sacarle el jersey por la cabeza (¿por qué harán esos cuellos tan estrechos?). Finalmente, su madre la deja por imposible. Ya la bañaremos mañana, que mi marido vuelve antes a casa; a ver si entre los dos...

Tan pronto como desaparece la amenaza del baño, tras sorber los últimos mocos y dar unos hipidos en brazos de mamá, Silvia está como nueva. Salta, corre, ríe, parece incluso que se esfuerce por caer simpática. El cambio es tan brusco que coge por sorpresa a su madre, que todavía estará enfadada durante unas horas. "¿Será posible?" "Mírala, no le pasa nada, era todo cuento".

No, no era cuento. Silvia estaba mucho más enfadada que su madre; pero también sabe perdonar más rápidamente. Silvia no es rencorosa. Cuando Papá llegue a casa, ¿cuál de las dos se chivará? ("Mamá se ha estado portando mal..."). El perdón de los niños es amplio, profundo, inmediato, leal.


Tu hijo sabe ceder

Jordi duerme en la habitación que sus padres le han asignado, en la cama que sus padres le han comprado, con el pijama y las sábanas que sus padres han elegido. Se levanta cuando le llaman, se pone la ropa que le indican, desayuna lo que le dan (o no desayuna), se pone el abrigo, se deja abrochar y subir la capucha porque su madre tiene frío y se va al cole que sus padres han escogido, para llegar a la hora fijada por la dirección del centro. Una vez allí, escucha cuando le hablan, habla cuando le preguntan, sale al patio cuando le indican, dibuja cuando se lo ordenan, canta cuando hay que cantar. Cuando sea la hora (es decir, cuando la maestra le diga que ya es la hora) vendrán a recogerle, para comer algo que otros han comprado y cocinado, sentado en una silla que ya estaba allí antes de que él naciera.

Por el camino, al pasar ante el quiosco, pide un "Tontanchante", "la tontería que se engancha y es un poco repugnante", y que todos los de su clase tienen ya. "Vamos, Jordi, que tenemos prisa. ¿No ves que eso es una birria?" "¡Yo quiero un Totanchante, yo quiero, yo quiero...!" Ya tenemos crisis.

Mamá está confusa. Lo de menos son los 20 duros que cuesta la porquería ésta. Pero ya ha dicho que no. ¿No será malo dar marcha atrás? ¿Puede permitir que Jordi se salga con la suya? ¿No dicen todos los libros, todos los expertos, que es necesario mantener la disciplina, que los niños han de aprender a tolerar las frustraciones, que tenemos que ponerles límites para que no se sientan perdidos e infelices? Claro, claro, que no se salga siempre con la suya. Si le compra ese Tontachante, señora, su hijo comenzará una carrera criminal que le llevará al reformatorio, a la droga y al suicidio.

Seamos serios, por favor. Los niños viven en un mundo hecho por los adultos a la medida de los adultos. Pasamos el día y parte de la noche tomando decisiones por ellos, moldeando sus vidas, imponiéndoles nuestros criterios. Y a casi todo obedecen sin rechistar, con una sonrisa en los labios, sin ni siquiera plantearse si existen alternativas. Somos nosotros los que nos "salimos con la nuestra" cien veces al día, son ellos los que ceden. Tan acostumbrados estamos a su sumisión que nos sorprende, y a veces nos asusta, el más mínimo gesto de independencia. Salirse de vez en cuando con la suya no sólo no les va hacer ningún daño, sino que probablemente es una experiencia imprescindible para su desarrollo.


Tu hijo es sincero

¡Cómo nos gustaría tener un hijo mentiroso! Que nunca dijera en público "¿Por qué esa señora es calva?" o ¿Por qué ese señor es negro?" Que contestase "Sí" cuando le preguntamos si quiere irse a la cama, en vez de contestar "Sí" a nuestra retórica pregunta "¿Pero tú crees que se pueden dejar todos los juguetes tirados de esta manera?"

Pero no lo tenemos. A los niños pequeños les gusta decir la verdad. Cuesta años quitarles ese "feo vicio". Y, entre tanto, en este mundo de engaño y disimulo, es fácil confundir su sinceridad con desafío o tozudez.


Tu hijo es un buen hermano

Imagínese que su esposa llega un día a casa con un guapo mozo, más joven que usted, y le dice: "Mira, Manolo, este es Luis, mi segundo marido. A partir de ahora viviremos los tres juntos, y seremos muy felices. Espero que sabrás compartir con él tu ordenador y tu máquina de afeitar. Como en la cama de matrimonio no cabemos los tres, tú, que eres el mayor, tendrás ahora una habitación para ti sólito. Pero te seguiré queriendo igual". ¿No le parece que estaría "un poquito" celoso? Pues un niño depende de sus padres mucho más que un marido de su esposa, y por tanto la llegada de un competidor representa una amenaza mucho más grande. Amenaza que, aunque a veces abrazan tan fuerte a su hermanito que le dejan sin aire, hay que admitir que los niños se toman con notable ecuanimidad.


Tu hijo no tiene prejuicios

Observe a su hijo en el parque. ¿Alguna vez se ha negado a jugar con otro niño porque es negro, o chino, o gitano, o porque su ropa no es de marca o tiene un cochecito viejo y gastado? ¿Alguna vez le oyó decir "vienen en pateras y nos quitan los columpios a los españoles"? Tardaremos aún muchos años en enseñarles esas y otras lindezas.


Tu hijo es comprensivo

Conozco a una familia con varios hijos. El mayor sufre un retraso mental grave. No habla, no se mueve de su silla. Durante años, tuvo la desagradable costumbre de agarrar del pelo a todo aquél, niño o adulto, que se pusiera a su alcance, y estirar con fuerza. Era conmovedor ver a sus hermanitos, con apenas dos o tres años, quedar atrapados por el pelo, y sin gritar siquiera, con apenas un leve quejido, esperar pacientemente a que un adulto viniera a liberarlos. Una paciencia que no mostraban, ciertamente, con otros niños. Eran claramente capaces de entender que su hermano no era responsable de sus actos.

Si se fija, observará estas y muchas otras cualidades en sus hijos. Esfuércese en descubrirlas, anótelas si es preciso, coméntelas con otros familiares, recuérdeselas a su hijo dentro de unos años ("De pequeño eras tan madrugador, siempre te despertabas antes de las seis...") La educación no consiste en corregir vicios, sino en desarrollar virtudes. En potenciarlas con nuestro reconocimiento y con nuestro ejemplo.


La semilla del bien

Observando el comportamiento de niños de uno a tres años en una guardería, unos psicólogos pudieron comprobar que, cuando uno lloraba, los otros espontáneamente acudían a consolarle. Pero aquellos niños que habían sufrido palizas y malos tratos hacían todo lo contrario: reñían y golpeaban al que lloraba. A tan temprana edad, los niños maltratados se peleaban el doble que los otros, y agredían a otros niños sin motivo ni provocación aparente, una violencia gratuita que nunca se observaba en niños criados con cariño.

Oirá decir que la delincuencia juvenil o la violencia en las escuelas nacen de la "falta de disciplina", que se hubieran evitado con "una bofetada a tiempo". Eso son tonterías. El problema no es falta de disciplina, sino de cariño y atención, y no hay ningún tiempo "adecuado" para una bofetada. Ofrézcale a su hijo un abrazo a tiempo. Miles de ellos. Es lo que de verdad necesita.


Dr. Carlos González, pediatra
Excerto de Bésame mucho

quinta-feira, 8 de março de 2012

Teste da Violência Obstétrica - Dia Internacional da Mulher - Blogagem Coletiva




Hoje vou dar um tempo na Semana Carlos González para fazer parte desta excelente iniciativa dos blogs Mamíferas, Parto no Brasil e Cientista Que Virou Mãe, com o apoio das blogueiras da Parto do Princípio, em deferência ao Dia Internacional da Mulher. Trata-se de uma blogagem coletiva em defesa das mulheres, da qualidade da assistência ao parto e contra a violência obstétrica.

Acho bem importante que façamos uma reflexão sobre esta data. Não é que eu seja contra, até considero bacana que lembrem da gente, que sejamos reconhecidas e respeitadas... Isso é gostoso. No entanto, sinto que tem um certo cinismo nisso tudo. É legal ganhar uma rosa? É legal que nos deem os parabéns por sermos mulheres? (Sempre achei isso meio estranho, mas vá lá...) Sim. Mas seria bem mais legal que as mulheres não fossem violentadas e estupradas. Seria ótimo que as mulheres ganhassem salários iguais aos dos homens quando fizessem a mesma função. Seria magnífico que não fôssemos oprimidas por ideais de beleza inacessíveis e que só nos trazem frustração. Eu gostaria muito de nunca mais ouvir que uma mulher levou um tapa na bunda porque estava pedindo, com aquela roupa provocante. Não seria fantástico?
Além disso, tanto se fala em emancipação feminina, em a mulher ter acesso ao mercado de trabalho em pé de igualdade com os homens, do poder feminino, etc., etc., etc. Será que estamos tão bem assim se ainda não conquistamos o direito de parir do modo que escolhemos? Quantas mulheres modernas, independentes e emancipadas tiveram que engolir uma desnecesárea ou um parto normal porém cheio de procedimentos dolorosos? Quantas não optam pela cesárea por achar que "ter parto" não é para todas, já que é tão cheio de dor e por aí pipocam histórias de terror? É muito problemático saber que os maus-tratos e o desrespeito com as parturientes nos hospitais sejam tão difundidos. Lembro que uma vez minha mãe me contou que quando ela estava em trabalho de parto para me trazer ao mundo tinha uma enfermeira que xingava ela e as outras gestantes que estavam na mesma sala, dizendo: "Ah! Tá doendo? Na hora de fazer não doeu...", entre outros absurdos. Isso me chocou muito e me choca mais ainda o fato de que hoje em dia uma em cada quatro mulheres que deram à luz em hospitais públicos ou privados relatou algum tipo de agressão no parto, perpretada por profissionais de saúde. 
Fonte: Folha.com
Para denunciar esta realidade, convido-as a responder o Teste da Violência Obstétrica. Ele ficará no ar até o dia 15 de abril. No dia 30 de abril, serão divulgados os resultados desta pesquisa informal, que tem como objetivo sensibilizar as mídias sociais e outras instâncias para a grave questão da violência obstétrica. O teste será respondido anonimamente e os dados individuais serão confidenciais.
Para responder o teste, clique aqui.

E desejo a todas muita alegria, autoestima, respeito, protagonismo, aceitação e uma caminhada florida. Hoje e todos os outros 364 dias do ano.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Entrevista com Dr. González: "Criar um filho exige mais carinho e menos instruções"

Hoje vos apresento uma ótima entrevista com Dr. González, publicada originalmente aqui. Nela, ele nos fala do sono das crianças, de rotinas, da paranoia pela necessidade de socialização dos bebês, da importância da figura primária, do tempo de qualidade versus quantidade, entre outras coisas. Bora lá treinar nosso espanhol!


"Criar a un hijo exige más cariño y menos instrucciones"


Dr. González: um outro olhar.
Los niños no nacen con instrucciones ni falta que hace. Así lo defiende Carlos González, uno de los pediatras que más consultas recibe sobre el cuidado de los hijos, 5.000 nada menos. Su secreto reside en aplicar el sentido común y su estrategia no es otra que amar al niño por encima del agotamiento, del estrés y de la desesperación. Como padre de tres hijos sabe lo que es no dormir por la noche durante meses y lo incompatible que resulta en este país conciliar la vida laboral y la familiar. Recalca que los niños no lloran por molestar sino porque lo pasan mal y lo que quieren es estar con sus padres, sobre todo con la madre. Defensor de la la lactancia materna, no comulga con la idea de que los niños pasen muchas horas en la guardería, salvo cuando sea estrictamente necesario e invita a reflexionar sobre seguir el modelo de muchos países nórdicos de un cuidador por cada tres o cuatro niños.
¿Qué se necesita para criar a un bebé de "forma natural"?
La crianza natural engloba acciones como responder al llanto del niño, hacerle caso, procurar estar con él sin miedo a que se malcríe, etc. Y, por otra parte, aunque normalmente incluye la lactancia materna, una madre que no da el pecho también puede criar a su hijo de forma natural.
¿La crianza natural es tan importante como la lactancia natural?
Es más importante porque a lo largo del siglo XX y finales del XIX se nos ha hecho muy difícil criar a nuestros hijos. Se han difundido toda una serie de normas acerca de que no hay que cogerlo en brazos porque se malcría, como que llorar es bueno para los pulmones, como que no hay que meterlo en la cama contigo porque no saldrá en la vida... hasta el punto de que criar a los niños es casi algo molesto. Pero si no tienes a tu hijo para cogerle en brazos y contarle cuentos, para qué lo tienes.
Esa es la teoría del "malcriamiento" que critica en sus libros
Sí, las personas deben comprender que malcriar es criar mal. Malcriar no es cogerle mucho en brazos, estar mucho con él o cantarle muchas canciones. Malcriar es no hacerle caso, abandonarle....
"En Alemania sólo el 6% de los niños acuden a la guardería antes de los tres años y en Finlandia el porcentaje es menor todavía"
¿Pero usted cree que ahora se malcría a los niños, de acuerdo a la definición que acaba de exponer?
Hay de todo. Depende de la teorías que hayan seguido los padres y de las circunstancias socio económicas. Me refiero a aquello de que si no haces lo que piensas, acabarás pensando lo que haces; los padres que se ven más o menos obligados a dejar al niño muchas horas porque tienen que ir a trabajar para pagar la hipoteca acabarán pensando que eso es lo mejor para el niño porque en la guardería les estimulan mucho y les tratan muy bien. Si pensasen que en la guardería hay muchos niños y no hay tiempo material para estimularles, se sentirían mucho peor.
¿Las propias condiciones de vida en las que nos movemos en la sociedad actual invitan a la malcrianza?
Sí, el problema es que se puede formar con facilidad un círculo vicioso, es decir si sabes que lo está ocurriendo está mal, aunque no quede más remedio que hacerlo, intentarás cambiarlo. Pero si llegas a creerte que está bien, ya te quedas así. En Alemania sólo el 6% de los niños acuden a la guardería antes de los tres años y en Finlandia el porcentaje es menor todavía, y son países con un mejor rendimiento académico que el nuestro.
Pero para disfrutar de estos estándares que predominan en otros países hace falta pagar más impuestos, y que las empresas cambien de actitud.
Bueno, en esos países también han tenido que tomar decisiones, a mí me han dicho que ya tenemos brotes verdes. Habría que empezar a pensar en qué nos gastamos el dinero.
Una pareja joven trabajadora y sin familia cerca del hogar no tiene otra opción que dejar a su hijo en la guardería. ¿Está malcriando a su hijo?
No hay una sola manera de criar bien a un hijo ni hay una sola manera de criarlo mal. A mí lo que me molesta es que haya gente por un lado que tiene buenas ideas a la que engañan y le hacen creer otra cosa: "yo lo cogería en brazos, pero no lo hago porque dicen que se malcría" o "yo lo metería en la cama con nosotros cuando llora pero no lo hago porque me han dicho que tendrá problemas de sueño toda su vida". Personas que se están sacrificando haciendo cosas que en el fondo les molestan y no son naturales, que no les gustan pero lo hacen por seguir las normas que fijan otras personas. Y, por otra parte, hay quienes toman decisiones que es posible que a lo largo de un tiempo se arrepientan porque no tienen todos los datos en la ecuación para poderse decidir. Si te dicen: "trabajar los dos es imprescindible" y por otro lado, "el niño en la guardería está de maravilla". Aquí no hay problema. Pero si te explicasen que en la mayoría de los países occidentales el máximo de los bebés por cuidador en una guardería es de cuatro legalmente, en otros de tres y en España es de ocho... igual la conclusión a la que llegarían los padres sería diferente. Se trata de reflexionar sobre cuánto dinero te puedes gastar en coche, cuánto en unas vacaciones, cuánto en comprar un apartamento en la playa y cuánto en criar a tu hijo.
Es una cuestión de prioridades, entonces.
Exacto. Los padres tienen que tomar la decisión con libertad y yo lo que hago es darles toda la información necesaria para ayudarles a que la tomen. Estoy convencido de que no hacen falta libros para criar a un hijo y no quiero que los hijos tengan manual de instrucciones. Es necesario más cariño y menos instrucciones para criar a un niño. Para aprender es mejor hablar y estar con un grupo de madres con sus hijos que leerse un libro en casa.
El instinto también es importante, ¿hay que dejarse llevar por él?
Es importante y en algunas cosas sí hay que dejarse llevar y en otras no. Nuestro instinto nos dice que cuidemos a nuestros hijos y es positivo, pero también nos dice que cuando alguien nos molesta hay que pegarle un bofetón y no lo hacemos.
Y en el caso de los niños, ¿el instinto hay que seguirlo o no?
La mayoría de las veces sí porque el instinto ha ayudado durante millones de años a los padres a cuidar a sus hijos, de lo contrario no estaríamos aquí.
Entonces, guarderías ¿sí o no?
Debería ser sólo cuando no hubiera más remedio. Sería conveniente cambiar nuestro sistema socio-económico para que en la mayoría de los casos no fuera imprescindible llevar al niño a la guardería, y para aquellos casos en los que sí fuera imprescindible habría que hacer mejores guarderías.
El consuelo es que en la guardería se socializan, ¿no?
La socialización no necesita para nada guarderías porque de entrada los niños pequeños no se socializan. Es a partir de los tres años aproximadamente cuando empiezan a jugar unos con otros. Y eso lo pueden hacer en otros sitios. Muchas veces pensamos que los niños cambian porque les educamos y en algunos aspectos es así, sin duda, pero la mayoría de los cambios que experimentan los niños se deben a que crecen. A los dos años dicen unas cosas, a los cinco otras y a los doce otras. 

"Malcriar a un niño no es cogerle mucho en brazos, estar mucho con él o cantarle muchas canciones. Malcriar es no hacerle caso, abandonarle?"

Abuelos. ¿sí o no?
Los abuelos son lo mejor que hay después de los padres. Es muy positivo que los abuelos participen mucho en la vida del niño. Puestos a separarse durante siete horas de la madre, seguro que para un niño de dos años es mejor estar con los abuelos que estar hasta siete horas en la guardería. Ahora, tampoco recomiendo que estén siete horas con los abuelos porque lo que el niño realmente necesita es estar con sus padres, sobre todo con la madre. Los padres enseguida aprendemos que esa pregunta de a quién quieres más a tu mamá o tu papá sobra.
Entonces, ¿dónde queda en la crianza del niño la figura del padre?
Todos los niños necesitan tener un vínculo afectivo con una persona concreta, según la teoría se le llama "figura primaria", y en la práctica se le llama mamá. Puede no ser la madre y un niño puede establecer su vínculo primario con la abuela, el padre... . Lo que es seguro es que hay solo uno primario, el resto son secundarios. El padre, si se esfuerza un poco, puede disfrutar de los primeros puestos entre los secundarios, pero se tiene que esforzar. No puedes pretender que tu hijo te quiera mucho porque es su papel de hijo. Si el padre quiere tener un papel activo tendrá que dedicarle tiempo al niño. Pero como todo en esta vida, cuantas más horas le dediques, mejor saldrá. Son necesarias las dos cosas, pasar con el niño mucho tiempo y que ese tiempo sea de calidad. Luego ya, con el tiempo, los niños van necesitando más del padre.
Se habla mucho del tiempo de calidad, "poco tiempo con los niños pero de calidad"
Los niños están enamorados de sus madres y hay que saber que una separación con la madre durante tantas horas tiene como consecuencias que el niño se enfade, que pegue un manotazo...
¿Entonces con los bebés hay que tener tolerancia total?
No, tolerancia en todas las cosas que se pueden tolerar.
¿Cuáles no se pueden tolerar?
Cada cual tiene que tomar sus decisiones, seguro que si ves a tu hijo tirando macetas por el balcón o abriendo la llave del gas se lo vas a impedir. Pero si el bebé llora y reclama atención las 24 horas del día, no es que haya que tolerarlo, es que eso es tener un bebé normal.
Y qué hay de la necesidad de tener tiempo para los padres.
No es excluyente, por qué no estar con tu hijo. Cuando te casas todos están de acuerdo en que tu vida de soltero se acabó, no sé por qué nadie te dice cuando tienes un hijo que hay que hacer una despedida de pareja en el último mes de embarazo.
¿Estas opiniones que defiende están extendidas en la comunidad científica es un poco outsider?
Me da la impresión de que empecé como outsider, pero cada vez lo soy menos.
El sueño es uno de los quebraderos de cabeza de los padres con los bebés. ¿Algún consejo?
Creo que antes los padres lo daban por sentado, ya sabían que tener un hijo significaba pasar la noche en vela y a nadie se le ocurría que ese era un problema médico que había que consultarle al pediatra. En todo caso igual le pedían al médico de adultos vitaminas para soportar esas noches. Pero, claro, se han creado unas expectativas... a los padres les han dicho por una parte que los niños tienen que dormir solos y por la noche del tirón. Mis padres, por ejemplo, no sabían eso. Yo he dormido con mis padres hasta los seis años, por tanto ellos no sabían que había que dormir solos y como no había otra habitación en la casa... Por otra parte, se ha creado un temor, se les dice a los padres que "si el niño no hace esto de esta manera va a tener problemas cuando sea mayor, no va a salir nunca de la cama de los padres..." y todos se preocupan. Pero no es cierto que los bebés tengan que dormir solos -porque se ve clarísimo que les gusta dormir en compañía- . Cómo se puede hacer más caso a lo que lees en un libro que lo que ves cada día con tus propios ojos. Es el instinto reforzado por la observación. Me escriben madres que me dicen "cuando le dejo al niño en la cuna llora y sólo se calma cuando le cojo en brazos". Ya ha encontrado la solución. Nadie se quejaría ni se sorprendería si le recomendara unas pastillas homeopáticas para que se calmara o le hiciera un masaje... entonces ¿por qué causa tanto problema aceptar que el bebé se calma con el pecho y cuando se le coge?. Siempre da la impresión de que es una desgracia, nadie dice: qué maravilla, cada vez que mi hijo se despierta me lo meto en la cama y se vuelve a dormir enseguida. Es una solución fácil, barata.
Pero requiere esfuerzo
No, no. Lo que precisa esfuerzo es lo otro. Si yo recomendara que cada vez que el niño se despierte es necesario que los padres se levanten y le den un masaje ... eso sí es esfuerzo.
¿Cuál es el sueño normal de un bebé?
No hay pautas. Si un bebé se despierta muchas veces por la noche el problema lo tienes tú que te tienes que levantar a la mañana para ir a trabajar porque luego el bebé sigue durmiendo. Todos los bebés acaban durmiendo las horas que necesitan y si no lo hacen por la noche lo harán durante el día.
¿Sus hijos le han dejado dormir bien?
Bueno, han hecho lo que han podido. Cuando tienes hijos no duermes igual, aunque eso no signifique que duermas peor. Recuerdo una época en la que me despertaba para estar de noche con mis hijos pero no lo recuerdo como un momento de desesperación. Eso es como cuando te vas de marcha por la noche, la pregunta es: ¿qué bien o qué mal lo he pasado?
El problema es que si estás una semana seguida de marcha y hay que trabajar se puede llegar a la conclusión de no querer salir de marcha.
O no querer trabajar. Está claro que no se duerme con la misma intensidad, pero tener hijos es esto, dedicarles tiempo, estar con ellos, consolarles cuando lloran, contestar a sus interminables preguntas.......
Son muchos los que dicen que los niños se guían por rutinas, ¿es así?
No creo que las rutinas sean necesarias y convenientes para el desarrollo de un niño y habría que ver si tu vida es más fácil con rutinas. Estoy convencido de que no son necesarias las rutinas porque los niños se adaptan a muchas cosas distintas, igual que los adultos. Por eso creo que si en algo tenemos que ayudar a nuestros hijos en su educación es a no tener rutinas. Yo quiero tener un hijo adaptable no un hijo que tenga rutinas.


Fonte: Revista Consumer

terça-feira, 6 de março de 2012

Dr. González fala sobre alimentação infantil

Hoje o Dr. Carlos González, com muito humor, nos fala de alimentação dos bebês, este tema que angustia muitas mães. É uma palestra meio longa, mas vale a pena parar um tempinho para assisti-la ou então ler a transcrição já traduzida em português logo abaixo. É interessantíssimo!




Trascrição e tradução do vídeo do Dr. González sobre introdução de alimentos


Venho falar sobre a alimentação infantil, que é um tema que preocupa muito as mães e eu nunca tinha falado antes para uma platéia com um percentual tão baixo de mães, mas não tem problema, porque aproximadamente 100% foram filhos e portanto vão reconhecer o tema.

Muitas mães e alguns pais estão preocupados porque os filhos não comem. Me contava uma mãe outro dia: não come nada, absolutamente nada, eu ponho um prato de fusilli e só come 1. Ué, a senhora não disse nada? Um não é igual a nada. Se um e zero fossem iguais, como os informáticos poderiam trabalhar?


Outras mães estão preocupadas, e às vezes nós médicos também estamos preocupados, e às vezes até fonoaudiólogos, porque cada vez vemos mais crianças que com 2 ou 3 anos não mastigam, que comem tudo, absolutamente tudo triturado. E é curioso porque a mesma mãe que com 9 meses diz: que grande é minha menina, que bem come toda a sua papinha, aos 2 anos diz: parece mentira, uma menina tão grande comendo ainda papinhas. Então, o que concluimos, é grande ou não é grande, é boa ou não a famosa papinha. E se você não quer chegar a esse destino, o melhor é não empreender esse caminho, e portanto do que venho falar hoje é de uma alimentação complementar livre de papinhas, uma alimentação complementar à demanda em que a criança possa comer o que quiser, exatamente como fazemos nós os adultos e a maioria de nós não temos problemas.


O problema é que na Espanha, costumam-se dar umas normas sobre alimentação complementar que são obsessivas, beirando a paranóia. Uma mãe me mostrou o típico papel impresso que recebeu. Um xerox do xerox do xerox, às vezes você encontra xerox de coisas escritas a máquina, coisas da era paleolítica. Ela havia recebido do posto de saúde, imagino que vocês já viram muitas coisas parecidas: aos não sei quantos meses, às 9 da manhã 120ml de leite com não sei quantas colheradas de não sei que cereal sem glúten. Às 13h, 50g de batata com 50g de cenoura com 50g de ervilha com não sei o que. À tarde, meia pera e meia maçã. As peras e as maçãs curiosamente sempre vão por metade, não sei porque não te dizem os gramos, já que o tamanho da pera e da maçã são muito distintos, essa é uma falha do sistema. A partir de não sei quantos meses às 2ªf e 4ªf, 50g de frango.


Conheci um pobre senhor que, não sei se seu filho já era grandinho, eu sei que o pediatra disse 85g de frango. O que acontece é que, claro, você pega 100g de frango e tenta tirar 85g, você pode errar então ele começou a ir todos os dias ao açougue para comprar 85g de frango. Imaginem a cena: ponha por favor 85g de peito de frango picado, então o açougueiro diz: melhor ponho 100g né? Não! 85! Que são para o menino.


Às 3ªf e 6ª f, 50g de carne e a partir de não sei quantos meses, meia gema de ovo em dias alternados que a partir de não sei quantos meses vai merecer uma gema de ovo inteira. A fruta è às 5 da tarde, como os touros. As mães me perguntam quanto tempo duram as frutas sem perder suas propriedades, as propriedades da fruta, que agora já estamos em crise, ninguém tem propriedades mais!



Vejamos, se quer triturar a fruta, que não recomendo, mas se quiser, o que importa o quanto duram se com o mixer num instante já estão trituradas? “Mas é que a fruta è às 5 e nessa hora tenho que buscar o mais velho que sai da creche, então tenho que levar a fruta no tupperware para dar ao bebê às 5.



Mas ela não pensou que a fruta pode ser às 4:30 ou às 5:30? Mas ela não pensou que se está tão a fim de dar alguma coisa às 5 que pode dar uma bolacha, que é mais fácil de transportar e a fruta, ela pode dar de manhã ou à noite? Pois não, porque o médico ou a enfeimeira disseram que era às 5: meia pera, meia maçã, meia banana e o suco de meia laranja. Se a avó estiver por perto, temos que acrecentar meia bolacha Maria.



Tem gente que diz: são mães obssessivas! Não, por favor, são mães normais! Eu acredito que são pediatras obsessivos. Porque se você vai ao médico e te dizem: você tem que tomar 12 unidades de insulina, você não vai tomar 11 nem 13, e sim 12 porque assim disse o médico e se ele disse assim é porque esse é o tratamento correto. Você tem o direito de esperar que quando um médico te diz 12 é porque são 12 e quando um médico te diz que a fruta é às 5, é porque a fruta è às 5.


O papel esse que lhes eu estou contando são 4 páginas contínuas de calendários, horários, gramas e minutos, ao final punha: atenção, as horas são aproximadas. Mas se são aproximadas, melhor não por! Como mínimo, mínimo, melhor por café da manhã, almoço, lanche e jantar e assim teria evitado muitas angústias. E que importa que a fruta seja no café da manhã ou no lanche? Eu acabo de tomar o café da manhã num hotel e comi fruta, paella, frios...A capacidade do homem tomar café da manhã é ilimitada porque temos que acreditar que sempre temos que tomar cereais no café da manhã?


Àquela mãe eu respondi: se a senhora em lugar de ter um filho normal tivesse um marido diabético (que Deus não permita!), um endocrinologista não teria dado este tipo de instruções. A um diabético não se diz se são 50g de frango, a um diabético não se diz que a fruta é às 5 da tarde. Inclusive, uma pessoa que realmente necessita uma dieta medicamente controlada não se dá esse nível de detalhe. E, no entanto, com a alimentação infantil nos encontramos com isso, provavelmente porque com a alimentação infantil continua-se recomendando mais ou menos da mesma maneira, talvez por tradição, que há 80 anos provavelmente porque naquela época, os bebês se não mamavam no peito e os bebês ricos não tomavam peito, porque isso era coisa de pobre, também não tomavam o leite nós temos na farmácia, fabricado por uma multinacional. Em seu lugar, o leite se preparava em casa, ainda em inglês esse leite se chama fórmula, tantos ml de leite fervido em casa, porque também não se vendia o leite pasteurizado, com tantos ml de água, com tantos gramas de açúcar e você já tem a fórmula do menino. Sem vitamina c, sem ferro, sem vitamina d, as crianças pegavam escorbuto. Então era necessário dar-lhes alimentos muito preparados, o suquinho de laranja, porque a fruta fazia com que suas gengivas sangrassem por causa do escorbuto, era preciso dar-lhes o fígado, que tem vitamina d, principalmente o fígado de bacalhau. E assim se chegou a dar as primeiras papinhas com menos de 1 mês, a única maneira de dar a alguém tão pequeno a comida é metendo dentro da sua boca, não tem outro jeito.


Agora sabemos que não é necessário começar tão cedo, entre outras coisas porque os senhores fabricantes de leite já acrescentaram essas vitaminas aos seus produtos e porque os bebês já não tomam a mesma mamadeira de antes. E aprendemos que os que são amamentados nunca precisaram dessas coisas e agora se recomenda começar aos 6 meses. Só que estamos começando aos seus meses da mesma maneira que quando se começava às 4 ou 5 semanas, tomando muitas precauções, com um estrito controle médico, medindo os gramas e os mililitros e enfiando a comida na boca do bebê, que é a coisa mais angustiante do mundo.


E é curioso como que tantos bebês, que enfiam tudo na boca, enfiam as canetas, as chaves do carro, os papéis, não tem mães que não tenha tido que tirar papel da boca do filho. Enfiam tudo na boca menos a comida. Ao ver a colher, começam a chorar. Qual experiência teve que viver um bebê, para ser capaz de meter na boca qualquer porcaria, menos o que se come?


É preciso entender qual o objetivo da alimentação infantil, ou seja, por que damos aos bebês outras coisas além do peito? Por quê não podemos dar o peito a vida inteira. “Ah, mas é que eu adoro amamentar, eu lhe daria o peito a vida inteira!” Mas, não é possível porque se você amamentar a vida inteira, a sua mãe vai ter que vir te amamentar e a sua avó vai ter que amamentar a sua mãe. E algum momento a corrente se rompe, além de que amamentar a vida inteira quer dizer a sua vida inteira ou a vida inteira dele?


E com a mamadeira, não poderíamos dar mamadeira a vida inteira? Bom, na mamadeira não porque fica feio, quem quiser que beba num copo. Vamos um pouco por esse caminho, ou seja, existe o leite número 2, depois o leite de crescimento, depois tem um período que a indústria ainda está procurando o que enfiar, mas já existe leite para mulheres com menopausa, e temo leite com pouca lactose, sem lactose, leite meio vegetal...Essa coisa do leite é como um câncer no supermercado, que vai se espalhando e fagocitando o resto dos alimentos. E vai se deslocando, cada vez existem mais leites e mais tipos. Esses leites de crescimento, leites com cálcio extra, leite de soja, não estão desenhadas para que uma pessoa só tome leite, estão desenhadas para que coma outras coisas e também leite. Sempre se pode comer outras coisas e não tomar leite, não tem problema.

É possível fabricar um leite que não seja necessário nada mais? Um leite para crianças de 5 anos, de 10 anos, para senhores de 50 anos? Sim, por que não? Por que a partir dos 5 anos, sei lá, não tem suficiente cálcio. Põe mais cálcio. É que a partir dos 20 anos, precisa de mais fósforo. Então põe mais fósforo. Isso são coisas baratas. Não custaria nada que houvesse um comitê internacional de especialistas de nutrição que diria o que tem que comer exatamente cada um segundo sua condição física, segundo sua idade, segundo seu estado. Existiria um leite para mineradores, um leite para esportistas, um leite para caminhoneiros, um leite para grávidas, um leite para mães que amamentam. Eu iri ao supermercado e diria: escuta, vocês tem um leite para pediatras entre 50 e 60 anos? “Xi, esse acabou! Se o senhor quiser, temos o leite para ginecologistas” Ah, mas os ginecologistas fazem mais esforço físico para tirar o bebê, não pode ser o mesmo leite! “Na semana que vem recebemos o leite para pediatras, com certeza!” Com um leite assim que tivesse tudo, as pessoas tomariam sempre a quantidade exata de colesterol que necessitam, a quantidade exata de sal, de açúcar,. Não existiriam pessoas com problemas de colesterol, de pressão alta, de diabetes, poderíamos viver 100 anos. Por que não fazemos isso? Por quê se é para comer assim, se é para comer um copo de leite de café da manhã, dois no almoço, um de lanche e um na janta, e de repente, no Natal eu me permito meio copo de leite com sabor turrón (doce típico de natal espanhol). Se é pra viver assim, 100 anos comendo merda, não quero viver 100 anos.



Preferimos comer comida normal, preferimos comer paella ou coelho com alho e óleo ou tortilla de batatas, ainda que às vezes isso nos leva as equivocarmos. E isso faça com que às vezes alguns tenham obesidade, outros hipertensão, outros tenham colesterol e outros açúcar. Mas, que caramba, nós que vamos viver nesse vale de lágrimas que desfrutemos um pouco. E queremos ter esse privilégio de comer comida normal e tomar nossas decisões e queremos o mesmo para os nossos filhos. Não queremos que nossos filhos mais velhos tomem o leite multimedia nem a pílula os astronautas que já tem de tudo. Queremos que possam comer comida decente.


Então o objetivo da alimentação infantil não é nutricional, não se trata dar ao bebê coisas que o leite materno não tem. A única coisa que teríamos que acrescentar, em todos os casos, a partir de certas idades, seria o ferro. A maneira mais fácil de dar ferro a um bebê não é dando frango, que tem ferro sim. Mas se o problema fosse ferro, o pediatra não diria: a partir de agora, comece a dar frango, comece a dar carne. O pediatra diria: a partir de agora, além do leite materno, dê algumas gotinhas de ferro por dia. Porque o frango, sabe Deus se come, se não come, se faz uma bolo e depois cospe. O mais seguro é dar as gotas, você está segura que engoliu. Com o peito e ferro já lhe basta por toda a vida.


E com a mamadeira, não custa nada fazer um leite com mais ferro, é facílimo. Portanto, o objetivo, quando você dá comida aos bebês não é nutricional é educacional. Nós lhe damos outros alimentos porque tem que ir aprendendo a comer normal. É preciso pensar no objetivo a médio e a longo prazo: o quê eu quero que coma meu filho quando tiver 2, 3, 5, 7 anos. Quero que ele coma comida triturada, e que eu tenha que lhe dar e que tenha que tapar o seu nariz para abrir a boca e que tenha que fazer o aviãozinho com a colher e por os Teletubbies para que se distraia? Conheci uma mãe que lhe punha o Baby Einstein. Já tinha entendido que não lhe tornava mais inteligente, mas para comer funcionava de maravilha.


Se você não quer chegar a isso, não se meta por esse caminho. A criança para aprender a comer normal precisa que lhe demos comida normal. E o que poderia ser muito simples, muito fácil de aprender aos 6, aos 8 ou aos 10 meses se converte em algo muito difícil aos 2, aos 3 ou aos 4 anos. Que, ao fim, aprendem todos, isso com certeza. Todos, ao final, comem. Quando me encontro com as mães que se meteram nesse caminho, que já tem crianças de 3 anos que não mastigam nada, que quando encontram um pedaço sem triturar na papinha, vomitam tudo, que começam a chorar e já não comem mais o resto do dia, então eu lhes digo: não se preocupe que isso se vai ajeitar por si mesmo. “Meu filho vai terminar o ensino médio?” Não sei, tem gente que não termina o ensino médio. “Meu filho vai entrar na universidade?” Mais difícil ainda. Meu filho vai mastigar algum dia? Claro que sim, por favor, isso todo mundo faz! Então, aconteça o que acontecer eu sei que seu filho vai mastigar um dia. Vai mastigar se a senhora fizer tudo certo e vai mastigar se fizer tudo errado. Assim que se, só por via de dúvidas, não faça nada, e assim não se arrisca a fazer tudo errado. O que eu chamo de fazer errado: criticar a criança, zombar dela, por de castigo, dar bronca, ridiculizá-lo. Existem coisas não só faz a mãe, mas que contribui toda a família, que vem para o Natal e sempre tem um engraçadinho que diz: menos mal que o fulaninho não come presunto porque assim sobra mais para os outros. Por favor, não é para humilhar a criança dessa maneira. Se ninguém diz nada para a criança, não há problema. A pergunta não é: com que idade vai mastigar meu filho, o problema é o que vamos fazer de agora até que ele mastigue, se vamos fazer nós todos, principalmente a criança, felizes ou infelizes.


Agora, quando ainda você está a tempo não se meter por esse enrosco, o que eu digo às mães é: ofereça comida comum e corrente. Não estou dizendo: que coma a papinha que tem que comer e depois pode fazer bagunça com a comida. É que não tem que comer nenhuma papinha. É que simplesmente você tem que deixar a comida ao seu alcance. Você tem a criança no seu colo enquanto você come, basicamente porque senão é assim ele não te deixa comer, porque começa a chorar. A criança está nos seu colo, você está comendo, as coisas que por sua idade ainda não pode comer, você deixa longe, as coisas que pode comer, ficam perto. E cedo ou tarde, ele vai tentar pegar alguma coisa e vai por na boca. Essa criança que pega uma ervilha e a leva à boca está aprendendo. Aprende a pegar com a mão, parece uma bobagem, mas chama-se psicomotricidade fina e me parece mais importante. Aprende a por na boca, que é preciso acertar o buraco, aprende a notar os distintos sabores e texturas dos distintos alimentos, aprende a tomar decisões: cenoura, ah, não gosto, frango, sim, engulo. Isso espanta os pais: ui, mas então só vai comer o que gostar! Pois claro que sim! Quem come o que não gosta é tonto! Mais tarde, você vai ao restaurante, pega o menu e pede o que gosta. “Ei, traga-me o bacalhau que me dá muito nojo”. Não, você pede o que você gosta! E é importante que a criança aprenda a comer o que gosta porque quando tiver 15 anos e vá por primeira vez com seus amigos a comer por aí, vão entrar numa pizzaria e se te ligar para perguntar: mamãe, de que eu peço a pizza vai ficar ridículo. Tem que ser capaz de dizer: quero de presunto. Aprende a tomar decisões, aprende a mastigar mesmo que não tenha dentes, um pedaço de pão, uma ervilha, um pedaço de cenoura fervida, aprende a deglutir sólidos e aprende, sobretudo que comer é algo agradável, que tinha vontade de comer e sua mãe, que era muito legal lhe deixou.



Por outro lado, a criança a qual lhe metem uma colher enorme de papinha de verduras na boca enquanto fazem o avião, ou enganando com a chupeta, sabem: “Toma a chupeta, ele tem um reflexo, colher, oops, engoli, chupeta, oops, colher, engoli de novo.” Até que a criança aprende a deixar de engolir no momento que lhe tiram a chupeta da boca. Essa criança que come a papinha inteira não aprendeu nem a comer com a mão, nem a abrir a boca nem a mastigar nem a engolir, nem a tomar decisões, porque vão enfiar goela abaixo tanto faz se ele quer ou não quer, nem a deglutir nem absolutamente nada. E ainda por cima, como comeu uma quantidade absolutamente enorme, estará pior alimentado porque essa papinha só de verduras não tem proteínas, não tem gordura, apenas tem vitaminas, essa é uma água suja, por favor, isso é operação biquíni, menos leite e mais verdura. Por outro lado, uma criança que apenas vai come um par de ervilhas, um pedaço de frango e uns dois macarrões, como depois vai tomar muito leite estará muito mais alimentado.



Tradução de Bel Kock-Allaman
Publicado na Comunidade Meu Filho não Quer Comer do Facebook

segunda-feira, 5 de março de 2012

Semana Dr. Carlos González

Dr. González, se todos fossem iguais a você...

Tenho visto muita gente aplicando teorias de "adestramento de bebês" (leia sobre isso no blog Zigzola, da companheira de blogosfera Natalie), muito bebê chorando sozinho no berço "pra não ficar manhoso", muitos pequenos tendo que se tornar independentes na marra. Triste, gente, muito triste. Penso sempre nestes casos que o que falta para essas mães, pais e cuidadores é uma boa dose de Dr. Carlos González.
Queremos o que é nosso por direito!

Conheci o Dr. González quando o Benjamin tinha poucos dias de vida, através do texto que posto aqui abaixo. Foi uma injeção de ânimo para mim, que estava me sentindo louca por ser-estar tão bicho, querendo minha cria grudada a meu corpo o tempo todo, sugando meus seios o quanto quisesse. Logo depois li Bésame mucho, que se tornou pra mim uma espécie de guia. É uma pena que os livros do Dr. González não tenham sido lançados no Brasil... (Editoras, #ficadica!)
Bem, como eu ia dizendo, acho que falta Dr. González no mundo materno-paterno, por isso decidi fazer aqui no blog uma "Semana Dr. Carlos González", dedicada a divulgar textos e vídeos deste pediatra tão amigo de mães e bebês.
Hoje vos apresento um texto sobre cólicas, o primeiro que li. Espero que este material seja útil para vocês como foi pra mim.
Benjamin: colo e mamá livres. Um bebê feliz!


 A Cólica - Por Dr. Carlos González

Os bebês ocidentais costumam chorar bastante durante os primeiros meses, o que se conhece como cólica do lactente ou cólica do primeiro trimestre. Cólica é a contração espasmódica e dolorosa de uma víscera oca; há cólicas dos rins, da vesícula e do intestino. Como o lactente não é uma vesícula oca e o primeiro trimestre muito menos, o nome logo de cara não é muito feliz. Chamavam de cólica porque se acreditava que doía a barriga dos bebês; mas isso é impossível saber. A dor não se vê, tem de ser explicada pelo paciente. Quando perguntam a eles: “por que você está chorando?”, os bebês insistem em não responder; quando perguntam novamente anos depois, sempre dizem que não se lembram. Então ninguém sabe se está doendo a barriga, ou a cabeça, ou as costas, ou se é coceira na sola dos pés, ou se o barulho está incomodando, ou simplesmente se estão preocupados com alguma notícia que ouviram no rádio. Por isso, os livros modernos frequentemente evitam a palavra cólica e preferem chamar de choro excessivo na infância. É lógico pensar que nem todos os bebês choram pelo mesmo motivo; alguns talvez sintam dor na barriga, mas outro pode estar com fome, ou frio, ou calor, e outros (provavelmente a maioria) simplesmente precisam de colo.

Tipicamente, o choro acontece sobretudo à tarde, de seis às dez, a hora crítica. Às vezes de oito à meia-noite, às vezes de meia-noite às quatro, e alguns parecem que estão a postos vinte e quatro horas por dia. Costuma começar depois de duas ou três semanas de vida e costuma melhorar por volta dos três meses (mas nem sempre).

Quando a mãe amamenta e o bebê chora de tarde, sempre há alguma alma caridosa que diz: “Claro! De tarde seu leite acaba!”. Mas então, por que os bebês que tomam mamadeira têm cólicas? (a incidência de cólica parece ser a mesma entre os bebês amamentados e os que tomam mamadeira). Por acaso há alguma mãe que prepare uma mamadeira de 150 ml pela manhã e de tarde uma de 90 ml somente para incomodar e para fazer o bebê chorar? Claro que não! As mamadeiras são exatamente iguais, mas o bebê que de manhã dormia mais ou menos tranquilo, à tarde chora sem parar. Não é por fome.

“Então, por que minha filha passa a tarde toda pendurada no peito e por que vejo que meus peitos estão murchos?” Quando um bebê está chorando, a mãe que dá mamadeira pode fazer várias coisas: pegar no colo, embalar, cantar, fazer carinho, colocar a chupeta, dar a mamadeira, deixar chorar (não estou dizendo que seja conveniente ou recomendável deixar chorar, só digo que é uma das coisas que a mãe poderia fazer). A mãe que amamenta pode fazer todas essas coisas (incluindo dar uma mamadeira e deixar chorar), mas, além disso, pode fazer uma exclusiva: dar o peito. A maioria das mães descobrem que dar de mamar é a maneira mais fácil e rápida de acalmar o bebê (em casa chamamos o peito de anestesia), então dão de mamar várias vezes ao longo da tarde. Claro que o peito fica murcho, mas não por falta de leite, mas sim porque todo o leite está na barriga do bebê. O bebê não tem fome alguma, pelo contrário, está entupido de leite.

Se a mãe está feliz em dar de mamar o tempo todo e não sente dor no mamilo (se o bebê pede toda hora e doem os mamilos, é provável que a pega esteja errada), e se o bebê se acalma assim, não há inconveniente. Pode dar de mamar todas as vezes e todo o tempo que quiser. Pode deitar na cama e descansar enquanto o filho mama. Mas claro, se a mãe está cansada, desesperada, farta de tanto amamentar, e se o bebê está engordando bem, não há inconveniente que diga ao pai, à avó ou ao primeiro voluntário que aparecer: “pegue este bebê, leve para passear em outro cômodo ou na rua e volte daqui a duas horas”. Porque se um bebê que mama bem e engorda normalmente mama cinco vezes em duas horas e continua chorando, podemos ter razoavelmente a certeza de que não chora de fome (outra coisa seria um bebê que engorda muito pouco ou que não estava engordando nada até dois dias atrás e agora começa a se recuperar: talvez esse bebê necessite mamar muitíssimas vezes seguidas). E sim, se pedir para alguém levar o bebê para passear, aproveite para descansar e, se possível, dormir. Nada de lavar a louça ou colocar em dia a roupa para passar, pois não adiantaria nada.

Às vezes, acontece de a mãe estar desesperada por passar horas dando de mamar, colo, peito, colo e tudo de novo. Recebe seu marido como se fosse uma cavalaria: “por favor, faça algo com essa menina, pois estou ao ponto de ficar doida”. O papai pega o bebê no colo (não sem certa apreensão, devido às circunstâncias), a menina apoia a cabecinha sobre seu ombro e “plim” pega no sono. Há várias explicações possíveis para esse fenômeno. Dizem que nós homens temos os ombros mais largos, e que se pode dormir melhor neles. Como estava há duas horas dançando, é lógico que a bebê esteja bastante cansada. Talvez precisasse de uma mudança de ares, quer dizer, de colo (e muitas vezes acontece o contrário: o pai não sabe o que fazer e a mãe consegue tranquilizar o bebê em segundos).

Tenho a impressão (mas é somente uma teoria minha, não tenho nenhuma prova) de que em alguns casos o que ocorre é que o bebê também está farto de mamar. Não tem fome, mas não é capaz de repousar a cabeça sobre o ombro de sua mãe e dormir tranqüilo. É como se não conhecesse outra forma de se relacionar com sua mãe a não ser mamando. Talvez se sinta como nós quando nos oferecem nossa sobremesa favorita depois de uma opípara refeição. Não temos como recusar, mas passamos a tarde com indigestão. No colo da mamãe é uma dúvida permanente entre querer e poder; por outro lado, com papai, não há dúvida possível: não tem mamá, então é só dormir.

Minha teoria tem muitos pontos fracos, claro. Para começar, a maior parte dos bebês do mundo estão o dia todo no colo (ou carregados nas costas) de sua mãe e, em geral, descansam tranquilos e quase não choram. Mas talvez esses bebês conheçam uma outra forma de se relacionar com suas mães, sem necessidade de mamar. Em nossa cultura fazemos de tudo para deixar o bebê no berço várias horas por dia; talvez assim lhes passemos a idéia de que só podem estar com a mãe se for para mamar.

Porque o certo é que a cólica do lactente parece ser quase exclusiva da nossa cultura. Alguns a consideram uma doença da nossa civilização, a consequência de dar aos bebês menos contato físico do que necessitam. Em outras sociedades o conceito de cólica é desconhecido. Na Coreia, o Dr. Lee não encontrou nenhum caso de cólica entre 160 lactentes. Com um mês de idade, os bebês coreanos só passavam duas horas por dia sozinhos contra as dezesseis horas dos norteamericanos. Os bebês coreanos passavam o dobro do tempo no colo que os norteamericanos e suas mães atendiam praticamente sempre que choravam. As mães norteamericanas ignoravam deliberadamente o choro de seus filhos em quase a metade das vezes.

No Canadá, Hunziker e Barr demonstraram que se podia prevenir a cólica do lactente recomendando às mães que pegassem seus bebês no colo várias horas por dia. É muito boa idéia levar os bebês pendurados, como fazem a maior parte das mães do mundo. Hoje em dia é possível comprar vários modelos de carregadores de bebês nos quais ele pode ser levado confortavelmente em casa e na rua. Não corra para colocar o bebê no berço assim que ele adormecer; ele gosta de estar com a mamãe, mesmo quando está dormindo. Não espere que o bebê comece a chorar, com duas ou três semanas de vida, para pegá-lo no colo; pode acontecer de ter “passado do ponto” e nem no colo ele se acalmar. Os bebês necessitam de muito contato físico, muito colo, desde o nascimento. Não é conveniente estarem separados de sua mãe, e muito menos sozinhos em outro cômodo. Durante o dia, se o deixar dormindo um pouco em seu bercinho, é melhor que o bercinho esteja na sala; assim ambos (mãe e filho) se sentirão mais seguros e descansarão melhor.

A nossa sociedade custa muito a reconhecer que os bebês precisam de colo, contato, afeto; que precisam da mãe. É preferível qualquer outra explicação: a imaturidade do intestino, o sistema nervoso... Prefere-se pensar que o bebê está doente, que precisa de remédios. Há algumas décadas, as farmácias espanholas vendiam medicamentos para cólicas que continham barbitúricos (se fazia efeito, claro, o bebê caía duro). Outros preferem as ervas e chás, os remédios homeopáticos, as massagens. Todos os tratamentos de que tenho notícia têm algo em comum: tem de tocar no bebê para dá-lo. O bebê está no berço chorando; a mãe o pega no colo, dá camomila e o bebê se cala. Teria seacalmado mesmo sem camomila, com o peito, ou somente com o colo. Se, ao contrário, inventassem um aparelho eletrônico para administrar camomila, ativado pelo som do choro do bebê, uma microcâmera que filmasse o berço, um administrador que identificasse a boca aberta e controlasse uma seringa que lançasse um jato de camomila direto na boca... Acredita que o bebê se acalmaria desse modo? Não é a camomila, não é o remédio homeopático! É o colo da mãe que cura a cólica.

Taubman, um pediatra americano, demonstrou que umas simples instruções para a mãe (tabela 1) faziam desaparecer a cólica em menos de duas semanas. Os bebês cujas mães os atendiam, passaram de uma média de 2,6 horas ao dia de choro para somente 0,8 horas. Enquanto isso, os do grupo de controle, que eram deixados chorando, choravam cada vez mais: de 3,1 horas passaram a 3,8 horas. Quer dizer, os bebês não choram por gosto, mas porque alguma coisa está acontecendo. Se são deixados chorando, choram mais, se tentam consolá-los, choram menos (uma coisa tão lógica! Por que tanta gente se esforça em nos fazer acreditar justo no contrário?).

Tabela 1 – Instruções para tratar a cólica, segundo Taubman (Pediatrics 1984;74:998)
1- Tente não deixar nunca o bebê chorando.
2- Para descobrir por que seu filho está chorando, tenha em conta as seguintes possibilidades:
a- O bebê tem fome e quer mamar.
b- O bebê quer sugar, mesmo sem fome.
c- O bebê quer colo.
d- O bebê está entediado e quer distração.
e- O bebê está cansado e quer dormir.
3- Se continuar chorando durante mais de cinco minutos com uma opção, tente com outra.
4- Decida você mesma em qual ordem testará as opções anteriores.
5- Não tenha medo de superalimentar seu filho. Isso não vai acontecer.
6- Não tenha medo de estragar seu filho. Isso também não vai acontecer.

No grupo de controle, as instruções eram: quando o bebê chorar e você não souber o que está acontecendo, deixe-o no berço e saia do quarto. Se após vinte minutos ele continuar chorando, torne a entrar, verifique (um minuto) que não há nada, e volte a sair do quarto. Se após vinte minutos ele continuar chorando etc. Se após três horas ele continuar chorando, alimente-o e recomece.

As duas últimas instruções do Dr. Taubman me parecem especialmente importantes: é impossível superalimentar um bebê por oferecer-lhe muita comida (que o digam as mães que tentam enfiar a papinha em um bebê que não quer comer); e é impossível estragar um bebê dando-lhe muita atenção. Estragar significa prejudicá-lo. Estragar uma criança é bater nela, insultá-la, ridicularizá-la, ignorar seu choro. Contrariamente, dar atenção, dar colo, acariciá-la, consolá-la, falar com ela, beijá-la, sorrir para ela são e sempre foram uma maneira de criá-la bem, não de estragá-la.

Não existe nenhuma doença mental causada por um excesso de colo, de carinho, de afagos... Não há ninguém na prisão, ou no hospício, porque recebeu colo demais , ou porque cantaram canções de ninar demais para ele, ou porque os pais deixaram que dormisse com eles. Por outro lado, há, sim, pessoas na prisão ou no hospício porque não tiveram pais, ou porque foram maltratados, abandonados ou desprezados pelos pais. E, contudo, a prevenção dessa doença mental imaginária, o estrago infantil crônico , parece ser a maior preocupação de nossa sociedade. E se não, amiga leitora, relembre e compare: quantas pessoas, desde que você ficou grávida, avisaram da importância de colocar protetores de tomada, de guardar em lugar seguro os produtos tóxicos, de usar uma cadeirinha de segurança no carro ou de vacinar seu filho contra o tétano? Quantas pessoas, por outro lado, avisaram para você não dar muito colo, não colocar para dormir na sua cama, não acostumar mal o bebê?

Lee K. The crying pattern of Korean infants and related factors. Dev Med Child Neurol. 1994; 36:601-7
Hunziker UA, Barr RG. Increased carrying reduces infant crying: a randomized controlled trial. Pediatrics 1986;77:641-8
Taubnan B. Clinical trial of treatment of colic by modification of parent-infant interaction. Pediatrics 1984;74:998-1003

Do livro Un regalo para toda la vida- Guía de la lactancia materna,Carlos González

Tradução: Fernanda Mainier
Revisão: Luciana Freitas