quarta-feira, 23 de maio de 2012

Criação com apego: eu pratico e defendo!




Achei muito legal a proposta da Cientista que virou mãe de fazer uma blogagem coletiva sobre a Criação com apego (Attachment parenting). Desde que a capa da Time foi divulgada, muito se tem falado sobre o assunto. Pipocam matérias, entrevistas e comentários nas redes sociais.
Infelizmente, nada do que li se afasta muito do senso comum e de visões bastante preconceituosas. É como se a criação com apego fosse uma invenção estranha de gente esquisita...
Bem, aqui em casa é essa a forma que escolhemos para criar nosso filho. (É verdade que somos um tanto esquisitos...:-D) Benjamin sempre teve colo à vontade, é amamentado em livre demanda, dorme conosco e sempre é atendido com muita sensibilidade e carinho. Dei um tempo na vida profisional e me dedico a ele em tempo integral. Meu marido sai do trabalho e vem correndo para casa para poder também ficar com ele, cuidar, alimentar, brincar... Para nós é um grande prazer mater-paternar nosso bebê. Praticamos criação com apego não por ser uma teoria bacana ou para nosso filho se desenvolver melhor. Praticamos criação com apego porque não saberíamos fazer de outra maneira. Penso que a base da teoria engloba o que mais se aproxima do que é instintivo e intrínseco à nossa natureza mamífera. Então é fácil! (Ou pelos menos deveria ser...) Além do quê, para nós não é nenhum drama colocar as necessidades de nosso filho em primeiro lugar, buscando sempre ter empatia por essa pequena pessoinha que veio nos colorir ainda mais a vida. Na verdade, nos parece a coisa lógica a fazer, uma vez que o bebê é a pessoa na família que está em formação e que possui mais urgência de ser atendida.
E para praticar a criação com apego, não existe mistério nem segredo: é só seguir o coração e ouvir o que nos diz nosso filho que tudo flui, em um fluxo constante de amor. É fato que às vezes a gente cansa, falta um pouco de energia, fica-se um pouco assim-assim... Mas basta olhar para o rosto de nosso pequeno - sorrindo, tranquilo, seguro, terno, carinhoso (ele dá beijo até na comida enquanto come) - para se reenergizar, com a certeza de se estar fazendo a coisa certa para nós, a que mais respeita e ele e a nós mesmos.
Aqui em casa é assim: é na base do beijo, do colo, do afago, do respeito e do carinho. Eu acho que criar com apego é simples, pois basta ouvir a nós mesmos e a nossa cria. Além disso, criar com apego é curativo pois pode-se ressignificar nossa própria infância e nossas próprias carências dando a nosso filho aquilo que não tivemos. Criar com apego é tudo de bom. Basta se permitir. E correr para muiiitos abraços!









A partir do momento em que chegamos ao mundo e desde os noves meses anteriores, temos uma necessidade: apego.
Mas, como bebês, não sabemos que apego pode significar outra coisa para nossos pais, dependendo de suas próprias histórias de criação.
Talvez os pais deles fossem desdenhosos...
Indisponíveis...
Avessos a emoções...
"Não chore!"
"Nesta casa não sentimos raiva"
"Não falamos sobre nossos sentimentos"
"Não seja bobo"
"Tá bom, filhinha, tá bom"
"Agora eu não tenho tempo".
Talvez fossem imprevisíveis:
Calorosos e frios,
Aceitando e rejeitando.
Talvez alguém que eles amassem fosse assustador, alguém em quem eles não podiam confiar...
E, então, aprenderam a se afastar da pessoa de quem mais precisavam.
Aprenderam a fechar seu próprio coração.
Mas então você nasceu...
E todo o amor que eles tinham em seus corações estava lá... pra você...
Porque te amavam com todo coração... mas também com suas histórias de infância.
Eles não eram perfeitos...
E, agora, você pensa que deve levar adiante essa mesma história... Agora como pai, para seu próprio filho.
"Eu não queria ter dito isso"
"Sinto que estou estragando tudo"
"Eu não quero que meu filho se sinta afastado"
"Eu me sinto tão falho..."
"Não desejo toda essa culpa"
"Sinto que não mereço ser sua mãe"
Conheça sua própria história.
Você não precisa ser perfeito.
São justamente nossas conexões, desconexões e religações que ajudarão a criar resiliência em nossos filhos e curarão nossos próprios corações.
É assim que você dará sentido à sua própria história...
Não é o que aconteceu no seu passado que será o melhor para seu filho.
A criação com apego não é um estilo.
Não é uma forma de cuidado parental.
Não é uma fórmula, nem uma garantia.
É a biologia do amor, um conceito mental, o coração do relacionamento.
É a bússola que nos diz quando estamos perdidos...
E que nos traz de volta para casa.
Mesmo muito tempo depois de nossos pais terem nos deixado ir.
A criação com apego nos faz crescer.
E nos cura.
(Tradução do vídeo: Ligia Moreiras Sena)


Saiba mais:

Attachment Parenting International
O que é Criação com Apego
A criação com apego e a neurociência






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