terça-feira, 1 de maio de 2012

Reflexões de uma noite sem sono

 Nas últimas semanas, temos dormido mal aqui em casa. Na madrugada, muitas vezes, Benjamin resmunga, chora, pega e solta a teta... Um dia desses acordou e tivemos que ficar brincando com ele da uma às quatro da madruga. (Mamãe com olheiras: a gente vê por aqui.)
E nessas horas nós, adultos, rapidamente encontramos explicações para o problema: "esta criança está indo dormir com fome", "isso é culpa da cama compartilhada, que está atrapalhando o sono dele", "teu leite é fraco, dá uma mamadeira de leite de vaca que ele dorme a noite inteira", "é calor", "é frio", e por aí vai.
Então, em uma dessas noites difíceis, vendo o semblante de sofrimento de meu pequeno ao acender a luz do abajur, tive um insight: ele pode muito bem estar angustiado, preocupado com alguma coisa, passando por uma fase difícil de sua ainda tão curta vida.
Mas como assim? Angustiado com o quê? Preocupado com o quê? Quer vida melhor e mais fácil que vida de bebê? Não tem que pagar conta, lavar louça, nem ligar para o SAC das Americanas... Mó moleza!

Eles também se angustiam?
Será mesmo? Visualize o que é crescer. Não dá para lembrar como foi com você, então faça um exercício de imaginação. Coloque-se por um instante na pele de um bebê. Isso significa crescer e crescer a cada dia. Significa ter seu cérebro trabalhando SEMPRE a mil para adquirir novas habilidades. E ter que lidar com tudo isso e se readequar o tempo todo. Significa, aos poucos, ir percebendo que sua base (= mãe) não faz parte de você. Ela pode sumir às vezes. Você depende dela. E se ela resolve sumir para sempre?
E seu corpo aumenta, aumenta e aumenta. Os braços, as pernas, a cabeça. Ontem você cabia aqui, hoje não mais. E você quer muito se mover, mas isso acontece de forma lenta e gradual. E se você for muito longe e perder sua mãe de vista? Xiii... Será que não é melhor continuar sendo um bebezinho? E você quer mamar, pois ainda está na fase oral; já está desenvolvendo outros meios de se comunicar com a mamãe, mas o mamá ainda é uma forma. Porém já tem gente dizendo por aí que você está muito grande e que é hora de ir tirando a teta de você. Como assim? A teta não é sua?
Não bastando tudo isso, sua mãe anda meio impaciente nos últimos tempos. Ela reclama que está cansada e você percebe que a coisa é com você, pois ela anda meio escorregadia... Na primeira oportunidade, ela larga você no colo de outra pessoa e sai para dar uma volta. Parece que quer se livrar de você. Então você se sente inseguro, né? Chora e gruda no pescoço dela. Ela, em vez de ficar feliz por ser tão amada e necessária, fica irritadiça e meio de má vontade. E por aí vai...
Visualizou? Achou tenso? Eu achei!

É bom explicar que isso é só um insight de mãe, em um momento de profunda empatia com sua cria. Não sei se existem estudos, teorias, ensaios sobre isso. Posso estar falando a maior bobagem do mundo, posso sim. Mas foi esta a impressão que eu tive naquela noite insone: a de que esses pequenos coraçõezinhos podem ser afligidos por muito mais sentimentos do que é capaz de imaginar nossa vã filosofia.

12 comentários:

  1. ♥ Adorei! Sorte do Ben ter uma Mamãe tão querida, que pensa nisso, que o compreende melhor! (E ainda ajuda as outras mamães e outros bebês, ao compartilhar esses pensamentos!
    beijos!

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    1. Natalie, querida! A Nayazinha também tem muita sorte em ter você.
      Beijos, com carinho,
      Aline

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  2. Mais um ótimo post Aline! Deve ser difícil mesmo ser bebê!! Bjs

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  3. Cara, adoro ler seu blog, eu sempre ando nas mesmas com o Ilah. Olha, seu insigt foi iluminado, é isso mesmo o que acontece. Estou lendo um livro maravilhoso chamado INFANCIA A IDADE SAGRADA, um dos capitulos trata sobre a pulsão de crescimento dos bebés, eles sentem na pele, na carne como crescem, é uma sensação de expansão, um universo celular que cresce sem medida, em um novo planeta extranho e complexo, é isso mesmo que vc relatou o que eles sentem.

    Assim, a ancora do bebé é a mãe, para ele não naugrafar nesse universo em expansão, e a ancora da mãe é o pai e as coisas que para ela são existencialmente boas, suas ancoras...uma cadena alimenticia sim, por isto eu ando revivendo meus velhos e quasi esquecidos habitos, ando me recargando para dar ao ilah a ancoragem que ainda precisa, ando dançando, escrivendo, voltei para minha tese, deixo o ilha na mão da minha mãe algum tempo para voltar nova e fresca, preciso e quero, agora quero, agora que é necesario para todos.... depois de um ano de colo, teta, cama e todo sem interrupção...

    Amiga querida, vc é uma sabia...

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    1. Linda Pily, gratidão por tuas palavras.
      Sabe que li este livro quando estava grávida? Acho que devo relê-lo. Aproveitarei mais agora.

      Beijos,
      Aline

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  4. Ou talvez seja o Ben sentindo a sua base (= mãe) hesitar no caminho com tantas críticas. Eu reclamo sempre de estar criando minha filha sozinha e tão longe de parentes e amigos, mas deve ser barra ter que se explicar o tempo todo para os outros, principalmente os mesmos parentes e amigos. Nossa, Aline! Da última vez que nos vimos tu já tinhas me dito da pressão que sofres para parar de amamentar!!! E provavelmente deves ouvir gente falando que é ruim dormir na mesma cama com o bebê e dar colo o tempo todo! Deve ser angustiante e até solitário trilhar um caminho diferente! Força, Aline! Tens um ótimo companheiro de jornada ao teu lado! Beijos nossos!

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    1. Nanda, querida, eu ouço de tudo, mas estou aprendendo a fazer cara de paisagem. Não me sinto mais solitária, pois sei que existem mais loucas como nós soltas por aí, e elas, pasmem!, se unem e se apoiam! hehehe!
      Tenho um ótimo companheiro de jornada e ótimas companheiras de maternagem. Ti voglio bene assai, bella mia!

      Beijos,
      Aline

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  5. Oi amiga, tem selinho pra você lá no blog. Bjinhus
    www.gustavoegaby.blogspot.com.br

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  6. Aline, já me peguei pensando essas mesmas coisas. Vamos elaborar uma teoria? Ainda esses dias comentava com o marido o quão angustiante eu acho que é ser bebê, justamente por esses sentimentos que tu descreveu tão bem.
    Beijo

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  7. Aline, amei o que escreveste, aliás gosto muito das coisas que escreves! O Vini também está passando por esta fase de dormir muito mal, de querer mamar a noite toda, isso com certeza deixa a gente super cansada, me identifiquei muito com o teu post e te agradeço por compartilhar teus pensamentos pois servem para as outras mamães refletirem e também verem que não acontecem só com elas.bjs

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    1. Obrigada pelo carinho, Mel! Precisamos compartilhar para se fortalecer, não é mesmo?
      beijos

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